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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Ágora

Agosto 18, 2021

Estive alguns anos preso ao romantismo
falávamos disto nos fins de tarde sempre domingo
perdíamos a noção do tempo tendo por amanhã
garantido, oposto ao presente, hoje futuro

a caligrafia poética prendia-me a atenção
tentava absurdo desenhar com escrita casta
coração selvagem, ainda puro, ainda limpo
não gasto, suavíssimas linhas de inocência

tragam-me silêncio, absoluto, copo de absinto
alucinação do poema áspero que deslumbre
somente perturbadas almas pelo sono ambíguo

poderão vir bater-me à porta se desejarem
nos dias que estarei a estender versos molhados
ao sol da minha infância, ao sol da juventude

Nome e morada da infância

Junho 16, 2021

Eram iguais a estas sombras
de verdes e castanhos escurecidos
no lugar onde viviam os meus avós
de luz do sol esclarecida
violentamente nítida

lembro-me quando era miúdo
dava conta da geometria das sombras
e dos ruídos que os pássaros faziam

perto da casa dos meus avós
vivia a Ivone na casa dos seus.
os pais dela iam buscá-la nos
fins de semana. Gostava tanto dela
que assistia da janela a ir-se embora

triste por ficar sozinho
suspenso num sonho poético.

ainda hoje a procuro quando lá vou
olho sempre para ver se a vejo.
mas já lá não está, nem o primo dela
nem os avós
nunca mais a vi
nem ninguém conhecido

Ivone é o nome da minha infância
e a morada a rua onde os meus avós viviam
basta sentir a frescura das sombras

dos plátanos, choupos e oliveiras
o cheiro verde da relva cortada
o murmurar das águas, das chuvas
do uivar do vento nas janelas
vencido pela saudade de visitar a rua
onde os meus avós moravam
onde ainda moro no coração

 

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