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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Por tudo e por nada

Sou esse germe da vida

Que beija a rosa tombada

Sou vento, gélido, frio

Ser metamorfoseado

Sou esboço desse destino

Viver à margem, do lado

Errado de um largo rio

No cais desmantelado

Mas subo ansioso a colina

Qual gato sobe ao telhado

É mais curioso o felino

Que um homem atarefado

Também me roço nas esquinas

Do meu passado azulado

Como se o céu repartisse

Comigo, o pão partilhado

Desço, tentando equilíbrio

Tropeço, escorrego, maltrato

No dorso desse delírio

Em dias de mansos cuidados

Sou gato que se esquiva

A essas carícias de fada

Das mãos do desconhecido

Sempre, por tudo e por nada

Por vezes, sou um bandido

Em livrarias de estrada

Farejo inúmeros livros

Quase por tudo e por nada

Também o lume que esfria

Numa casa abandonada

Sem receber luz do dia

Que dizem estar assombrada

Há quem procure refúgio

Me peça a chave emprestada,

A um leopardo pedinte

Por ter partido uma pata

Sou quem podia ter sido

Se escolhas fossem pensadas

Mas nunca fui fugitivo

Dum luar de fina prata

Sou um borrão de tinta

Numa pintura pensada

Também um shot de absinto

Bebido por tudo e por nada

De mim às vezes desligo

Gosto de estar desligado

Nos dias que a nada ligo

Só por sentir-me isolado

Minha alma é de submarino

Sempre num mar mergulhado

Sem horizonte ou destino

Sem terra a ser avistada.

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