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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O rio decadente

Setembro 06, 2016

É preciso mergulhar num rio decadente

Onde as almas se esfumam, se traem, se evolam

De gárgulas à porta, a arreganhar os dentes

Para espantar os anjos virgens que se atolam

 

A mergulhar mais fundo nessas águas fundas

De drogas combustíveis com olhos de absinto

Onde reinam Medusas que olham profundas

E devoram, felinas, sonhos por instinto.

 

É preciso sentir o odor da podridão

Para sentir ao perto essa miséria pura

Que o mundo esquece e ignora e atira ao mesmo rio

 

É preciso saber que há quem chore por pão

Que existe muitas noites mais que a noite escura

Muitas almas perdidas que tremem de frio

3 comentários

  • Imagem de perfil

    António Só 07.09.2016

    Há quem não veja nada. Pior: há quem vê mas ignora o que vê. É preciso não ignorar, amiga poetisa.

    Obrigado pelo seus comentário
    Abraço
  • Outro abraço, poeta!
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