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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Manhã de Outono

É este frio de outono a enregelar-me o corpo

De bem afiado vento em pedra de amolar

Que me assassina e corta com terrível sopro

Que macambúzio Éolo decidiu soltar.

 

Os rostos que se enrugam na neblina fria

Rolam dos olhos mornas lágrimas que aquecem

O coração, que o vento bárbaro injuria

A caminho dos ofícios que nos arrefecem.

 

Tu, Sol, como estás fraco, cobres-te com manto

De nuvens que ameaçam engolir o mundo

Há quem reze à janela de manhã aos santos

Como se fosse um filme visto num segundo.

 

As crianças arrastam mochilas pesadas

Os pais vão pensativos com listas enormes

Na mente, de afazeres, almas consternadas

Das suas vidas árduas, vítimas disformes.

 

Os carros arrogantes rugem apressados

No pavor invisível de chegar mais tarde

Há látegos no vento, há fumos enrolados

Das fábricas grotescas, de um mundo que arde.

 

Meu filho, dá-me a mão, que o tempo é uma chita

Que corre tão veloz sem nós darmos por ele

Empresta-me a inocência tua que me agita

Oculto coração pela máscara da pele.

 

Bocejam, não do sono, só quem sofre insónia

O tempo que se encurta, cada vez mais perto

Diria ser do tédio, que só tem remédio

Se abrirmos bem os olhos no meio do deserto.

 

Que mão sombria faz girar veloz o mundo

Oleada da vontade antagónica à minha

Que monstro invisível faz do orbe rotundo

Ser a casa da Morte e ser nossa vizinha?

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