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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

CÁRCERE

Setembro 22, 2005

Sentado na pedra fria duma masmorra,
Invoco o que em tempos tanto vivi
Mesmo que passado o tempo não socorra,
Olho à frente o azul que outrora vi.

Estreito se apresenta ainda a vista,
Qual mente hérculea invoca alucinações,
Quando pelo muro branco se avista,
Ao seu redor, distante de reais visões.

Embalado o berço que se agita brando,
Por mão extremosa, a mente, como uma Mãe,
De recém nascido longe ainda do bando,
Que terá seu tempo de voar também.

Um ponto azul naquela vista primeira,
Inquieto se asperge e o corpo se afasta,
E o mar surge-me de fronte, visão pioneira
Do globo terrestre dorido pela 'fina' casta.

Gaivota sou?!? Albatroz, e sigo a caravela
que em direcção à costa serve-me de guia
Nem Sol ou Lua a costa anunciam. É ela!
Ilha Perdida que não existe. Todavia,

Provo ao toque leve a fina areia
Servindo-me da mente, apenas recordando-a,
Essa realidade atroz que sorve da veia,
Sangue da poetisa vida, drenando-a.

De sonhos meu viver não basta; resta
Parte do meu instável ser e intranquilo
Parte da minha alma não parte nesta
Barca, rumo a um porto calmo e tranquilo.

No chão se espalham histórias de criança,
Lançados ao inglório vento, vento funesto,
Ainda guardo no sonho uma tola esperança
De superar-me. Mas hoje... hoje não presto.

Do que fui e sou, nos escombros remexo
Almas gentis e puras de outros valentes
Que abrem apixonados trancos e fechos
De almas agrilhoadas e dependentes.

E sinto por mim compaixão momentânea
Como a núvem que depressa no céu passa.
Será que 'inda minh' alma é consentânea
Com o que fui? Ou sou já a igual farsa?


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