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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O Ser Mais Que Imperfeito

Outubro 26, 2005

Caiem bocados de mim sem que me importe,
Se ergo em mim os templos de Salomão,
Mesmo que a ruína me espere, a própria Morte,
Se, mortais corremos cegos à Perdição.

Se dos meus ramos caiem as folhas mestras,
Com o pensamento me crescem flores à volta,
Bem sei ser uma criança: tenho vastas florestas,
Assombradas: deixo fantasmas andar à solta.

Quais salteadores em bando (sempre em bando),
Nas clareiras ateiam fogos, mas assustados
Tenho sido benevolente no castigo, brando
Abrigo dando, por terem sido exconjurados.

E exconjurado me sinto num seio alegre,
Por vezes abençoado quando me abandono
Passo - como Aquiles - sem desvios que segue,
Exacto, adormecido só pelo negro sono.

Cruel destino o nosso, em frente tacteando
A vaga de nuvem negra que se aproxima,
Como exércitos de anjos por mim chamando,
A ser demónio, anjo, Nada Lá em Cima.

Lanço-me no mar revolto de cogitações,
Agitam-me pensamentos em imponentes vagas
Estremece-me a mente o Deus dos Trovões,
Que engole frases cativas em mim amargas.

Mas como uma miragem ardente no deserto,
Vem uma fada em sonhos luzidia em luz,
A bonanza abençoada, a calma, com a qual desperto,
Que quando razão perdida, a leve calma seduz.

Existem grutas onde as Ninfas mais belas,
Se banham ignorantes do tremor, fúria terrena.
Tenho ao mar lançado em sacríficio, lapelas
De lugares onde alma nunca me foi pequena.

Sou entre comuns O Ser Mais Que Imperfeito,
Ao destino, errando pelas vias mais vis
Longe de se importar não ser um ser perfeito
Dos erros, desejando ser ele o próprio juíz.


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