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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Maldito

Outubro 27, 2005

Se me virem a olhar,
Para os olhos de alguém,
Perdoem-me, por admirar
A beleza que alguém tem.

E sei como assusto
A flor que contemplo,
Tenho nos versos posto,
A beleza como exemplo.

Guardo tudo em mim,
A simples graciosidade,
Nas faces, o carmim
Do rubro da ingenuidade.

Digam-me: que melhor eu tenho,
Contemplar o que é belo
Por ter desejo tamanho
Do belo envaidecê-lo.

Passo, sorrio, converso,
A todos; são meus presentes
Guardo num cofre adverso
Mesmo olhares, de mim, ausentes.

Sinto que fui amaldiçoado
Por não ter qualquer pudor,
Ah, se vivesse só de pecado,
De amar, seria um pecador.

Das raízes nasce o fruto,
Que é o mais apetecido;
Mesmo o ser mais astuto,
Vive adverso ao proíbido.

E no vagaroso deslizar,
No tempo, tudo se proibe,
Tornou-se proibido ousar
Nos dias em que tudo inibe.

E do aperto o sonho nasce,
Dele semeia-se desejo,
E dentro o desejo cresce,
De oferecer a alguém um beijo.

E se um beijo é heresia,
Longo, meigo e prolongado
Sou herege durante o dia,
Por no momento, não ter pecado.






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