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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Ode Mortal

Qual fogueira fumegante que arde últimos instantes,
Onde húmida névoa paira e esquiva quando espanta,
De arco, aquele que setas de ouro disfere como antes
O astro pontual; assim, minha voz áspera não canta.
Porque exausto, trémulo corpo fica quando se espera,
Por glória em sonhos vista, onde vontade clara impera.

Se me entristece o rosto na debanda de companheiros,
Que comigo alto urram como se às estrelas aclamassem,
A inspiração divina, onde ardem versos verdadeiros,
Como se em taças decoradas, bebidos versos desejassem.
Mas penitente caminho aquele que escolhe o sentimento,
Que espessas nuvens perfura por onde voa o pensamento.

Se encolerizado vento minha alma não governasse
Talvez calma chegasse da Primavera dádiva da Terra,
Se atenta alma, fraqueza assaz, meu ser não ignorasse,
Talvez eu conquistasse néscio império que me encerra.
Já quando no Homem o sangue inaugura o nascimento
Já se reserva em frente caminho cheio de tormento.

Mas qual lenho da costa se afasta frágil do rumo,
Sem ter estrela por guia que a Colombo orientou,
Seu Norte sem ter norte, seu sonho fio de prumo
Foi embalo da esperança que ao Continente o levou.
Quem nasce com mar defronte, insufla em si vontade
Nos interditos mares onde se lcança a Liberdade.

Corre-me no sangue, dos horizontes, pesada herança,
Pelo globo rotundo onde Verdade longe se oculta.
Dorme em sobressalto quem engole besta, a esperança:
Loba das almas vagas, carpindo da ignorância inculta.
Em desespero resisto sabendo que um dia tombarei,
Mais um sopro, sacrifício, beijo...depois, sucumbirei.

Archotes são que mentes iluminam, não se afeiçoam,
Ao passo lúgubre da gente que desgosta ou nada sente,
São espasmos do meu peito que pelos vales não ecoam,
Porque pedras não despertam; sou poeta vil resistente.
Mas eis minhas pegadas na areia que o tempo apaga,
Sou perdido peregrino, no mundo outra alma largada.

Não se escolhe quando se é rebento de Primavera
Que pálidas manhãs se ouve ainda claro doce chilreio,
Ao abandono me lanço, de leão, por presa espera,
Feroz dentes mostrando quem invade selvagem meio.
Colhe-se fruto maduro depois de caida a chuva,
Vinho em versos escritos se da vinha colhida a uva.

Já tempo pouco tenho que crave na lápide humana,
Não bíblicos mandamentos de temido fogo de Deus,
Que tornou pálido o rosto visto por ousada e insana,
Príncipe do Nada antes, de Tudo servo dos hebreus.
Pois comigo nada leve que enleve o peito, a voz levante
Quero minha alma deixar, perdida como um diamante.

Qual leproso inesperado saido dum vale sombrio
Que a frágil turba espanta e sorrateiro, desaparece,
Entra, é anular desejo ardente com o frio,
Que com verdade o sangue gela, e dela, esmorece.
Ou antes fogo posto na selva que sempre perdura,
Implante gentil valor virtude que sempre, não dura.














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