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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

CIII

Dezembro 15, 2005

I

Vejo, não dois olhos, mas duas estrelas,
Entre outras, porém, delas mais coruscam,
Teus lábios tremem, quais as sentinelas
Que inimiga, verdade cruel, não buscam
Num arco se torna, minha alma não sente
De ouvir razão humana que desconcerta
Como desejaria que à minha frente
Alvo não fosses, antes uma alma aberta.
Qual fonte de água se propaga impura,
E cai na alma nossa em catadupas,
Confessa: diz quais serem minhas culpas,
Faz da impura mentira, verdade pura
E da aljava retiro seta ou pergunta,
E tua áurea esmorece como defunta.


II

As minhas flores não crescem quando tu choras,
Crescem as minhas flores quando sorris,
E a luz pela qual amas e adoras,
É a Lua triste com seus mil ardis.
Crescem quando um sol novo incerto
De raios finos, dedos delicados
Se entregam ao teu sorriso aberto,
Porém, se choras, são juncos truncados.
E tens por companhia essas sombras,
Quando docemente triste as invocas,
As horas passam e disto, não te lembras
Em ti mais amargura acre provocas.
Curvo-me em respeito por não ser,
Sombra, que não faço dor desaparecer



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