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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

CXI

Dezembro 26, 2005

Invoco o nome que o sangue nos gela,
Quem por todos chamam, quando ausente,
A fria, pura, horrivelmente bela,
Quando revelada torna-se imponente.

O tempo urge sem que a pressa faça,
Gerar pânico quando nisto muito se pensa,
Mas nunca é tarde saber se embaraça,
Se é verdadeira nossa vontade ou crença.

Deparo-me nessa que tão vil escondida,
Por quem olhares, e o medo oculta.
Ó tu ao corpo bem vinda e bendita
A alma, que se vangloria e se culpa.

Foi o Homem largado neste vasto,
Palco azul que a terra inunda, engole,
Pausa na eternidade, da Morte, repasto,
Que alma leve ou vivo me viole!

E assim pensando o quanto o tempo corre,
Que penso o quanto valho tanto ou não,
Que valor tem alma, se ela morre,
Quando parar inquieto o coração.

Que deidades brincam com nosso destino,
Brumoso, que nos valha morte tranquila,
Quando se ouve toque fúnebre do sino,
Conversa com alma, vou agora ouvi-la.

Já basta o quanto tanto fico exausto,
De ver gente que passa na felicidade,
Que me constrange, longe de ser fausto,
Augusto, César que antiguidade abrange.

Não passamos de raízes plantadas,
Por deuses inventados por que existe,
Medonho medo de ter ancoradas,
E assim com a esperança se resiste,

Que seja só começo e não o fim,
Das coisas, sendo da vida comovente,
Somos de Deus seu rebelde querubim,
Indomável, arrogante, pobre descrente.

Neste abandono à jornada perene,
Noutro princípio que ao Homem transcende,
A busca que a mim a vida me ordene
Outra centelha de vida se acende.

Sopro como um passageiro vento,
Que tão depressa cessa como levanta,
Somos leve poeira que em pensamento,
A nós sofrimento nos agiganta.

Então sejamos livres, pois estaremos,
Uma vez cá somente então que valha,
E aos filhos nossos, herança deixemos,
Obra contínua, se a nós nos calha.

Mesmo tendo visão ampliada,
Sinto que posso ter o Universo,
No meu Universo, alma encalhada,
Em porto vivo, incerto e adverso.

Morri já várias vezes poucas ainda,
Para que vivo me sinta claramente
Ah, torna-se a luz vista ainda mais linda,
Que no passado - bendita seja a mente!

Flores, montes, pequenos rebentos,
Ao florescer magnífico alegre assisto,
Águas, fogo, ar, do Homens inventos
Feliz contemplado por viver isto.

E nada de divino se vindima,
Se agrilhoa, como mente ampla liberta,
Leio a Natureza, planto a rima,
E lanço-me contente à descoberta.

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