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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Odei ( o )em-me

Janeiro 13, 2006

I

Irónico é dizer a quem me odeia,
Neste momento do ódio, num sofrimento,
Que o único que odeio, quem me rodeia
Sou eu próprio. Mas basta de tormento!
Qual vela esmorece à noite e se apaga
No lar às voltas, o escuro tacteio,
Meu ser atordoado foi no que esmaga,
O ódio, o amor não passando pelo meio.
Meu grito facilmente se desvanece,
Nos vales onde o vento sibila, impera,
A luz que viva à volta, desaparece,
Fico pensando só como acontece.
Colho o fruto amargo da insolência,
Planto sem que queira a vil demência.


II

Bate-me pois não dói,
Não sinto as minhas faces,
Que dor a mim me rói,
A não ser que desenlances,
Das minhas, tuas mãos,
Que não as quero sentir,
Respiras os mundos vãos,
Ond' me apresso fugir.
Não plantes em ti esperança,
Planta um ódio antes,
E cuida como criança,
Põe ódio no que quer que cantes;
Mesmo que tu floresças,
Lembrar-te-ás de mim,
Mesmo que o ódio aqueças,
Arrefecerás no fim.
Tuas árias têm a cor,
Das cores que eu não uso,
Não falam elas de Amor,
E me deixam confuso.
Mas quando eu me extinguir,
Canta uma melopeia,
Que honre meu existir,
Minha pobre dulcineia.

III

Fixaste o teu olhar distante e vago,
No despontar do Sol,
E viste no Céu um olhar amargo,
Na núvem fofa e mole.
Deixaste teu perfume em triste leito,
Que célere aspergiu,
Que me lembra de ti quando me deito
Quando um raio incidiu,
Que ser odiado é apenas pormenor,
Quem a tem pequena
A alma escassa em rebelde fervor,
Minha pobre assuçena.
Se me deixas azedume então vai,
Não te quero ouvir,
Porque na tua alma o sol descai,
E nele, eu a partir.

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