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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Longa espera

Já tantos sonhos maus eu tive,
Como se descesse rumo ao Inferno,
Já tantas vezes no Céu eu estive,
Que minha alma assim governo.

Já vi os prados que nunca acabam,
Tão verdes que apelam a um deitar,
Que tantos na realidade gostavam,
Porque não podem, só podem sonhar.

Sonhar é bom para quem tem luz,
Dentro de si e para si não guarda,
Emana do rosto e a tantos seduz,
Outros que choram sós na mansarda.

Já sei que custa o ofício exacto,
Ter que deitar-se em pedra fria,
Perfeita ideia, porém, abstracto,
Viver o que sobra durante o dia.

Mas quem se olhar ao espelho e ver,
A beleza em si não só exterior,
Pode inspirar e até vir a ter,
Na curta vida um inteiro Amor.

E dar sem que na esquina espere,
De volta por quem tanto amor deu,
Não mirre, não drene ou desespere,
Não olhe nova morada, o Céu.

Porque é um constante ir e voltar
Como o Sol quente e agreste chuva,
E até que volte pode decorar,
A alma enquanto a dor não turva.

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