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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Pentâmeron - Dedicado a L...

I

Estátua de mármore, fofa pele macia,
Seios gulosos cheios que um apetite,
Asperge ardor no corpo; eu não mentia,
Que no ninho verdade muito te excite.
E o corpo no escuro em luz dourada,
Que o teu rosto divide num Bem e Mal
Num imaculado leito ver-te deitada,
Coloco-te, ó minha amada, num pedestal.
Teus espasmos o corpo inerte apetecia,
Ter-te deitada num acetinado lençol,
E mesmo adormecida, eu amar-te-ia
Jorrando em ti como se fosse o Sol.
Se tu fosses o pélago onde afundasse,
Podia ser que um rei talvez te amasse.

II

Intróito brando, num leve adagio,
Sem nada querer e assim, tudo se tem,
Não penso e assim eu não cometo plágio,
No tempestuoso e doce vai e vem.
E feito harpista dedilho meigo com os dedos,
Solista sóbrio que num transe inquieta,
Do lago as águas onde afundas os medos,
Deixo do desejo a porta estar entreaberta.
Lembras-te quando sobre os anjos dizia,
Que quando te amava os via perto contentes?
Soprando em flautas mágicas eu diria,
Que toca para nós orquestra de dementes.
Recosta tua cabeça na almofada,
Entrega-te ao abandono, minha adorada.

III

Solta alto os gemidos que em ti deténs,
Alívio de apertos, dores e desgostos,
Estão mil dentro de ti e eu sei que os tens,
Como as cores celestes de teus sóis postos.
Sinto que teu rio dentro fervilha,
E dentro em pouco tempo transbordará,
Quando o sinto escorrer é uma maravilha,
Que libertado, mais tarde, me libertará.
Nunca chamei sem ti fazer amor,
Porque contigo o faço sem que alguém,
Sinta em versos ou música este ardor,
Quando escalda o teu corpo e meu ser contém.
Se houvesse maior riqueza que sentimento,
Mais alto voaria meu pensamento.

IV

Entraste majestosa dentro do meu lar,
Sem que rosas trouxesses, antes sorrisos,
Mas a meus pés espalhaste a convidar,
No lar juntos olharmo-nos como narcisos.
Nem césares outras terras conquistaram,
Com a rapidez que tu me conquistaste,
Nem poetas os feitos sublimaram,
Só com o impulso como me sublimaste.
As flores dormiam já no meu jardim,
Mas desabrocharam com o teu passar,
E despertamos quem dormia, assim
Que os corpos se convidaram a juntar,
Como se a noite nunca tivesse um fim,
Ou o mundo estivesse para acabar.

V

Assim o Amor ecoa na eternidade,
Assim direi mais tarde o quanto amei,
Tem o Amor a voz da liberdade,
Porque estive com quem me libertei.
Assim vale ver a luz que ilumina,
A terra inteira e não ficar retido,
Nas trevas, onde o escuro nos assassina,
Crime hediondo por nós cometido.
Assim nos vale a vida que não dura,
Que passa como o pássaro no Céu,
Que a todos fascina e o voo perdura,
Numa mente que vive como um réu,
Por entre a multidão que em loucura,
Condena porque em loucura nunca viveu.

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