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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

O bom ouvinte

Seu rosto era tão pálido quanto a Lua,
Quando ilumina a noite se bem cheia,
Quem em solilóquio vagueia na rua,
E continua o que lhe pulsa na veia,
Ignora se o destino bem lhe encomenda,
Seu querer é tão singelo como a flor,
Que à dama se oferece e nos recomenda,
O bálsamo mais certo para terrível dor.
Porém, ficou nos sonhos tantos pendente,
Julgando lançar-se à conquista do mundo,
Nada mais tinha a invadir-lhe a mente,
Tornando-o mais distinto, mais fecundo,
Ignorava se o Diabo estivesse à frente,
Quem passava em primeiro ou segundo.

II

Apresentava seus sinais de fraqueza,
Tão expressos em seus gestos de candura,
Ousava com uma certa fácil leveza,
Vencer com simpatia ou com doçura.
Mesmo trémulo como a vela acesa,
Que ondula na mesa quando sopra aragem,
Seu ar ingénuo detinha uma nobreza,
Que a multidão, passando, cede passagem,
Como um anjo que asperge de luz,
Dos céus descendo, arauto de alegria
Que a todos com seus olhos outros seduz,
E o negrume reduz quando vencia.
Porém, mesmo que por anjo o tomem,
Não passava de um simples e pobre homem


III

Detinha o sentimento de compaixão,
Sem que desse ele conta, de onde vinha
Por quem tão ferido em dor no coração,
O dom de ouvir em si ele detinha.
Sem que interesse algum por alguém nutra,
Ouvia, porque amava, como às flores
Sem que esforço fosse, em força ou luta,
Renascia ao ouvir falar de amores.
Gostava quando desbotava toda a tristeza,
Dum rosto desfigurado por alguém,
E o alegrava com uma certa destreza,
Como se de todos fosse extremosa mãe.
E espalhou-se a notícia que havia,
Quem dos aflitos com gosto ouvia.

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