Tentação
Entre a roupagem existe,Num espaço curto minúsculo,
Que o sangue flui e insiste,
Entumecer-me o músculo,
Porque o que os olhos vêm,
São frémitos de paixão,
Como crentes que em deuses crêem,
Sem que ganhem galardão,
E as curvas dela são,
Um tentação atroz,
De um macio tenro e quente,
Que transforma em pó a mente,
Quando olho e não desvio,
As carnes: é doentio!
Não é doença, é poesia,
Que ela oferece, tão gentil,
Num simpático terno olhar,
Que pelo meu, valem por mil,
Tão bonita que ela é,
E sinto dela um terno gesto,
Mas entre a veste que veste,
Olhando, eu sinto que não presto.
Porque não escondo e divulgo,
O toque suposto ser quente,
Que nunca é indiferente,
Só à vista turva do vulgo,
Que sobre a mesa eu vejo,
Uns seios postos com gosto,
Que olhar só, sobe disposto,
Alpinista disposto a um beijo.