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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Tu a Bela, eu o Monstro

Março 09, 2006

No desamparo excêntrico do amor,
Em dor sempre oculta em meu pensamento,
Agora que tens comigo uma dor,
Deixa-me que eu caia em desalento.
E se fores mergulhar no mar profundo,
Que em ti, ira revolta por não teres,
Quem queres, tornas o mar furibundo,
Inundando as terras dos meus quereres.

Já não me importo ou me lembro sequer,
Mas ainda dói ver-te magoada,
Por quem não se submete ou mão estender,
A quem não tem sequer uma namorada.
Não é amor: é fome de corpo, é sede
De ter o seu romance em prazo curto,
Que depois do gozo, seu mal não mede,
E à pureza um bocado lhe furto.

É birra de criança quando bates,
O pé em chão que te lances sozinha,
Na rocha, tu em ondas, nelas embates,
Porque em firmeza no teu mar não tinhas.
Por isso, uma vez mais, rebeldes ondas,
Que estremecem o promontório inteiro,
À frente de amor iguarias não escondas,
Porque não sou cliente, mas cozinheiro.

Não me apoquenta se mal ou bem estás,
Ignoro se amante algum cinges no teu peito,
Não sinto incomodo se me és Satanás,
Inquieta-me é eu ser mais que imperfeito
Ainda, como se já não bastasse,
Meu grau de vil, meu Vader que há em mim,
Mesmo que mal contigo eu continuasse,
Nunca quererei estar com alguém, assim.

Pois se um é mais devoto que o outro,
Cede mais vezes quando portões se arrombam,
Dá a outra face sempre, nisto me enluto,
Porque assim almas se perdem, se assombram.
Não que de ti não goste ou um mal nutra,
Não que de mim não fluísse ternura,
Mas se é verdade o NÃO, então me escuta,
Não deixo que beijo tenha outra desenvoltura.

Nunca neguei a alguém nada de mim,
Nunca fiz sofrer alguém como tu,
Que quem se vangloria de coisas assim,
Se sinta na plena escuridão, nu.
Como ser magoado eu preferia
Ter sido, que magoar-te a ti,
Não quero que se torne em nostalgia,
Por isso, a solidão eu a escolhi.

Amar é não prender, é não forçar,
É ser vento de feição à caravela,
É a mentira própria repudiar,
É não dizer, não sendo, que “és tão bela”
Ou “te amo” sem que realmente te ame,
Ou gosto de ti” e, de ti, não goste,
Vale mais assim que a Morte me chame,
Que me amares amarrado a um poste.

Mas farás por ti mesma a descoberta
Sem que valha a pena falar disso
Que sou pessoa errada, antes da certa
Que te amará por encanto ou feitiço.
Soar-te-ão estas palavras vãs,
Como vento que em vales sopra e esmorece,
Ou vento uivando pelas barbacãs,
Voz da minha loucura. Não ligues: esquece.

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