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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Sete

Março 13, 2006

Anuncio aos meus o que não tenho,
Imprimo neste papel toda a contenda,
Sinto-me tão só, perdido e estranho,
Tenho em vida nos versos a merenda.
Todas as minhas palavras são fúteis,
Os versos escritos; aquilo que sei, inúteis,
Talvez a esperança um tapete me estenda.

Perdi o rasto que o amor deixou,
Andei sempre pelas ruas mais estreitas,
Fui quem a vida própria a revirou,
Como se revira as coisas imperfeitas.
Deixem-me em paz, deixem-me no escuro,
Deixem que o coração fique mais duro,
Deitar borda fora as coisas perfeitas.

São punhais as vozes que não entendo,
Que à volta soam felizes; porém,
Vou dando deslize à pena e compreendo,
Que a minha alma do ‘eu’ ficou aquém
Porque um império existe dentro de mim,
Não, meus pais, não será agora o fim,
No fundo, lá bem no fundo estou... estou bem.

Seco de mente quase um demente,
Que não sabe o que faz ou que diz,
Sinto uma saudade de quem ausente,
Tem dos mais belos e irreais perfis.
Quem me indica esse caminho certo,
Que passe a tempestade num deserto,
Que foi que disse ou não, que foi que fiz?

Torna-se a cama a mais doce amante,
Mãos invisíveis macias de tacto,
Que da alegria fico mais distante,
E este nó que tenho não o desato.
Ó rainha que abrasa vem dançar,
Comigo uma canção, vem trautear,
Serás Diabo com quem farei um pacto.

Para que foste tu embora, ó Alegria,
Dos meus sonhos feitos em mil fragmentos
Como teu rosto comigo enrubescia,
E eu por ti nutria puros sentimentos.
Deixaste-me isolado no meu mundo,
Se soubesse teria ido mais ao fundo,
Fingi que mal tinha meus pensamentos.

Agora bebo de uma fonte impura,
Que sacie minha sede na desolação,
Só porque a ferida se abriu na costura,
E esvaiu-se vontades do coração.
Pendendo no tempo independente,
Que verde prado seja a minha mente,
Onde plante o que quero sem ilusão.

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