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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Não tenho nada!

Agosto 08, 2006

Pudesses desvendar, Musa, mistério,
Onde guardei num lugar e esqueci,
Talvez sepultasses num cemitério,
As mágoas que em vida nunca as sofri.

Talvez fosses arqueóloga do momento,
Onde no branco fixo olhos em espanto,
Não tenho (e sofro) um único sentimento,
Sou penitente que não quer ser santo.

Dou passagem a todos que encontrei,
E deram-me sobre o tempo notícias,
Sem dar ouvidos, penso que disfarcei,
Pois sonhava com futuras carícias.

Não penso na vida pois eu sobre ela,
Deixei de defender vãs teorias,
Penso, intermitente, que a vida é bela,
Quando se abate as nuvens nos meus dias.

Que pensar mais senão nesta cabeça,
Curvada do peso que me suporta,
Sou puzzle que falta sempre uma peça,
que encontrá-la, já nem sequer me importa.

Se queres saber, minha tão doce amada,
Nem me importo sequer com minha imagem,
Sou como a passageira e leve aragem
Que sorrateira passa e não diz nada.

Talvez mais cavernoso a ser eu venha,
Mas no fundo bem sabes que eu recuso,
Deter para sempre esta amargura estranha,
Que a ninguém serve, sem ter qualquer uso.

Quero engolir somente o mundo inteiro,
E depsejá-lo em verso em rios de Amor
Mas penso que em nada sou pioneiro,
converter desejos em mágoa ou dor.

Mas penso que eu te disse em algum dia,
Que o teu mal é cederes-me os ouvidos,
Compreendes porque eu tenho a poesia?
Sou os livros que nunca serão lidos.

Mas provo ainda o gosto da beleza,
De quem passa por mim e nunca me olha,
Quem passa olvida da sua subtileza,
E passa sem ter pensado na escolha.

Melindra-me não haver o que inspira,
Nem que seja minha tristeza doce,
Se fosse outro diferente, então que fosse,
Não quem à eternidade nome revira.

Sou fumo expelido da minha boca,
Aríete inútil num portão batendo,
Sou óstia que na boca se coloca,
que na boca incolor vai desapar'cendo.

Sou charco irremediavelmente imundo,
que olhando extingue do alheio vontade,
De salvar pobre alma ao moribundo,
Que prega louco sobre uma verdade.

Pois no fundo com verdades não vivo,
Bondosa a Natureza é que concede,
Beleza etérea com que eu sobrevivo,
Que gentil mão reclama e nada pede.









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