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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Enquanto dormes...

Terás a eternidade para dormir.

Hoje sacudirei a toalha de estrelas,

Cairão no teu corpo de prado de leite

Mil beijos intemporais

Que serão memoráveis no teu íntimo

Se me for primeiro que tu.

 

É porque a Lua nem sempre vem,

Também ela tem os assuntos dela,

Às vezes vagueia sombria pelas florestas

Com os ombros desnudos e seio arfante

À procura do seu Endimião, não sei.

 

Sei que agora te vejo e tu não me vês,

Sei que não durmo enquanto dormes,

Como tranquila repousas; e a tua respiração

Tem do verão a quietude dos lagos,

De águas moles e transparentes,

Como óleos de cedro ondulando,

Pelas ondas feitas por nossos dedos.

 

Quantos morangos frescos na tua boca,

Amoras escuras no teu pomar ardente,

Quantos mirtilos no teu peito,

Na seca, apodrecem à sombra

De uma árvore nascida do cansaço.

 

Olhando próximo o rio de marfim

A lua macilenta entornava a sua graça

Parecia-me doente, constipada,

Ausente, com olhar vago. Diria

Catatónica, com um fio de luar

A sair-lhe da boca, pobre coitada.

 

Estou cansado de beijar a solidão.

Dormes num sonho, eu, na vida

Fato poeirento, gasto e desbotado

Com um nó de gravata que me estrangula.

Quero respirar no mesmo sonho que tu,

O ar parece-me mais salubre,

Que o ar sufocante e áspero

Que respiro solitário. Por favor,

Não me deixes cá fora…

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