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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

A Comédia Humana

Janeiro 24, 2012

Somemos ao currículo mais um crime,

Ó tu, absurdo vácuo, da cinza imperador

E tu também, senhora super elegante

Que hoje pela manhã me servira pão com dor.

 

O fato e gravata vis amantes, têm mãos

Sujas de lama, que me apertam o pescoço,

Pés que me esmagam nas pedras da calçada

Luares fúnebres boiam na água do poço.

 

Escrevo para ti também, mulher de super seios,

Talvez por isso só por isso te aches maior,

Jeito de melro, voz de sereia e vem pedir-me,

O universo inteiro por julgar-se superior.

 

Meus nervos hoje estão em carne viva a ver-se,

Uma fractura exposta na montra de loja,

Perco-me na caverna deste poema abstracto

Ardo mais que o normal, na minha interna forja.

 

Devia cedo ter escolhido jardinagem,

Há jardins floridos que rebentam dentro de mim,

Mas interditos, não há ninguém que o muro salte,

Para sentir na minha alma o cheiro do jasmim.

 

Cultiva-se tão pouco, uma aparência frágil,

Uma dormência de espírito num ultraje

Diria que a virtude é moeda antiga e fraca

No mercado de insónia, lá para o fim da tarde.

 

Reparem que estas linhas atiro-as ao abismo,

Ninguém ouvirá a voz do pensamento,

Em formato digital eu grito a ida infância,

Um veleiro a entrar na baía do tormento.

 

Sim, escrevo. É uma forma nobre e subtil,

De resguardar-me à sombra dum pinheiro manso,

É uma forma delicada de dizer: “não se aproximem”

Enquanto bebo um copo de sol no meu descanso.

 

Já sinto vergonha da fonte destes versos,

Escrevê-los antecipo já ser pura perda,

Passam, satisfeitos, e por passarem é quando

Digo: “Olá, tudo bem?” mas penso: “vão à merda!”

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