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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Um Minuto de Silêncio

Janeiro 13, 2012

Que ninguém quebre este silêncio cristalino,

Apaziguador das almas inquietas!

Finalmente, o silêncio! Haverá no futuro

Lugares onde se venderá sossego a peso de ouro.

Há músicas dispersas nas lojas,

Luzes fulminantes, ar sufocante, abafado

Como se dentro fosse Verão sempre.

Sei que estou a cometer o crime de escrever,

Estes versos que nada são,

São consoladores da minha solidão doente,

Queijo a derreter-se e amolecer-me

O querer e a vontade de mudança urgente

De ir-me embora sem dizer adeus.

 

Deito o licor desilêncio num copo de vidro,

Bebo-o sofregamente...

À tua saúde, incolor pastor do inútil,

Tu que me entregas fardos de palha diariamente

Tu que me empurras para os braços da Morte

Escuto os teus sonoros e deligentes passos

Por alguém superior a ti,

Alguém que te despreza mais do que te tem em
conta,

Leva-lhe vinho e a cega obediência.

 

A ponte, ao longe, parece-me perto do coração,

O rio, serpente azul rasgando a península,

Demora-se nos meus olhos exaustos, encolhidos,

Por verem só o que não querem

Por não contemplarem simplesmente:

Na memória duradoura, um bálsamo na tristeza,

Um cesto de frutos frescos e metáforas

E o bulício citadino embate nas vidraças,

Parece gente fechada numa casa a arder,

Em pânico, aflita, respirando fumo.

 

O papel molhado de tinta branca, a caneta

Azul que me deram no país da saudade tricolor,

Que tentação! Que tentação de pecar

E descrever a fúria da cavalaria ávida,

De sensações dispersas, exército esfomeado

Estremecendo o solo do meu coração enlameado

Criaturas nocturnas que habitam grutas

Desejassem por um momento a luz do dia,

Ou um minuto de silêncio...

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