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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O Homem Invisível

Janeiro 06, 2012

Hoje o chão faltou-me novamente,

Subiu-me uma angústia pelos joelhos da alma,

Viúva negra na cama de lençóis perfumados de infância

Cobra coral enrolada nas pernas do meu ser.

 

Sinto vontade de gritar, gritar, fazer eco

Rasgar o silêncio frio e sepulcral de igreja,

Fixar os olhos das pessoas como se chamassem por mim

Alguém que me visse como ser invisível.

 

Tenho pernas para andar mas não ando,

Tenho mãos para criar e não crio nada,

Cérebro para celebrar a vida com a imaginação,

Erguer templos e catedrais honrando a beleza,

A beleza frágil, tímida e afável,

Das coisas incríveis, multidão eufórica roçando por mim,

 

Todos os meus assuntos ficaram retidos na sala de espera,

Os gostos musicais, gente miserável e inocente,

Congelaram na sala gélida de tribunal sem justiça,

Sofreram a pena máxima: o esquecimento!

 

Se não existisse deixava de existir.

Cai-me a noite de céu florido de lírios brilhantes,

E a Lua, sorrateira trepando os telhados oblíquos,

Oprime-me, como a mulher demasiado atraente,

Estar perto, tão perto, demasiado perto

De nos dar importância sem nos dar importância

Como o próprio mundo, como a própia morte

como a própria vida.

 

Escrevo para sentir nos dedos o fio de Ariadne,

No dédalo mental, absorto, absurdo,

Na exaustiva dormência de achar-se a palavra,

Certa, num poema incerto,

Casto num bordel de palavras,

Zebra inocente entre leões famintos,

E no chão branco deste papel,

Varro todas as folhas do pensamento…

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