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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Fantasma sem Ópera

Outubro 18, 2011

Agora que sou o fantasma sem ópera,

De mãos nos bolsos sem canções para compor,

E me faltam notas de ouro numa partitura,

que desejei honrar na música o amor,

 

Sombra imperceptível, vaga, no que sinto,

Uma águia cativa com asa ferida

Trazei-me um copo de água, palinca, ou absinto

Para esquecer que fui no amor, ave abatida,

 

que voara céus cremosos, de um branco suave,

Contemplando a grandeza deste mundo incerto

No fresco amanhecer, que tesouro reluzente

De pedras preciosas brilhando num deserto!

 

E os sonhos, polidos espelhos num palácio

Com estátuas de deuses de Roma ou Grécia antigas

E veludos caros, flores luxuriantes

Sou nada, um fantasma, que nem a noite abriga.

 

Que estranho vazio nos meus pequenos olhos,

Dois veleiros brancos num mar de negrume,

Dois buracos de tiros de canhão num muro

Uma fogueira em ruínas, sem calor nem lume.

 

Que farei se à volta tudo lembram olhos verdes

dois pontos luminosos numa tempestade,

No meio dum mar nocturno, revoltado em chamas

Onde o Mal bem se vende, e tão mal a bondade.

 

Meu filho, tu que dormes um sono profundo,

Serás melhor do que eu. Aprende que estes versos

São frutos amargos de árvore plantada

Da dolorosa esperança criar-se universos.

 

Se olhares a janela quebrada num comboio,

vítima duma pedra lançada por mau gosto,

tenta encontrar beleza nisto, anda escondida

Mesmo num coração que encolhe por desgosto.

 

Se um dia por amor, teu coração chorar,

Lembra-te olhar o céu, as estrelas, um planeta

que a Lua veio ao mundo para consolar

quem sofre por amor e se tornou poeta....

 

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