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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

ÀS ORDENS DA LUA

Agosto 11, 2011

Sabe a morango, o toque suave, a gelatina

Melosa equilibrada pela mão que tem

O seio prometido da musa divina

Ditando húmidos versos que na mão derretem.

 

Comido como insecto por planta carnívora,

Sem língua, ou quente boca dentro da colmeia,

Devora-me, abraça-me, pica-me qual víbora

Enterra-me na tua praia de rósea areia.

 

Esse “V” de vitória é uma colina verde

Ponho a mochila às costas, faço-me ao caminho,

Chita veloz o tempo, o tempo que se perde

És meu sagrado templo, o meu sagrado vinho.

 

Pousa no chão o fardo um pouco, devagar,

As minhas mãos dissipam doridas tensões

E quando for para sul, tu irás naufragar,

Na ilha que criei, com árvores tentações.

 

Há grutas e cavernas, húmidas, exóticas

A areia é de brancura igual à linda Diana

Se ela vem masturbar-se ao ler histórias eróticas

Deixando de ser deusa para ser humana.

 

Vi-a tactear o seio, ao folhear meu livro,

De poemas proscritos guardados na gaveta,

E num lácteo murmúrio, disse-me ao ouvido

“Não pares de escrever. Virei ler-te, poeta”

 

“Pois que meu corpo gela à noite se sozinha

Caminho quando entorno o meu branco luar

Às vezes dou trabalho ao dedo que adivinha

Para tanger a lira e fazê-la vibrar.”

 

“Sinto o meu corpo frio às vezes em tumulto,

Todo o calor da terra não é o bastante

Escreve mais poeta que me soe a insulto,

Livra-te que meu seio não fique ofegante.”

 

Por isso amo a nudez dos corpos enredados

De ouvir filhos da noite amarem-se em segredo

Ouvi, belas donzelas, corpos encaixados

Dum prazer infinito que não mete medo.

 

Das curvas, dos contornos, dos ângulos estreitos

Dos mornos orifícios que têm muita luz

Dos sexos conjugados e sem preconceitos

As mágoas e tristeza a cinzas reduz.

 

Da firmeza do corpo à  firmeza do sexo,

No sal a misturar-se na seda ou cetim

Da borboleta leve ao tornado complexo

Eu nunca hei-de escrever neste episódio FIM

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