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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O CANTO DO ROUXINOL

Maio 23, 2011

Sinto-me seco, rosa murcha, degradada,

Há muito que não chovem versos do meu ser,

Puseram-me no escuro, correram persianas,

Já nem sentir o sol mais posso ter prazer.

 

O piano, ao arrancar-me da realidade,

Vivo, melancólico e alegre ao mesmo tempo

Ainda contem água fresca no regador

Pra no Verão regar-me e ver-me ainda em Setembro.

 

Em volta, embatem perfumes violentos

Sinto-os como anjos vestidos de violeta,

Atravessam meu corpo, impalpáveis gotículas

Inspiram-me a avidez e boémia de poeta.

 

Despisto-me na curva da bela cintura,

Dum elegante cisne no corpo da mulher,

Que desliza e contagia em volta a multidão,

De corvos que a debicam com vulgar prazer.

 

Pergunto, se formiga fosse: e se viesse

Bêbado, um gigante com seu pé esmagar-me?

Tão frágil eu seria no orgasmo da terra

Quem viria socorrer-me, quem viria encontrar-me?

 

Desde o momento em que nasci ainda não tive,

Instantes de silêncio de diamante puro

Podia a vida ser um sono tão profundo

Vividos para viver na luz e não no escuro

 

Um melro na folhagem prende-me a atenção,

Com cânticos que soam a plena madrugada

Seu chilrear parece dar-lhe algum alívio

À sua solidão. Chama por sua amada!

 

Já muito caminhei só pra sentir-me amado,

E lânguidas rainhas sentadas no seu trono,

Que, só por serem belas, são assediadas

Por seres mergulhados num profundo sono.

 

Será talvez assim que canta o rouxinol

Que à noite vai contar a sua história amarga

Cantando noite e dia, à escuridão, ao sol

Pois que da vida a sua história não se apaga

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