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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Impalpável

Agosto 18, 2010

É uma impotência enorme como aquela

Ao olharmos, nada vemos, mas queremos,

Ver quando olhamos a mulher mais bela

A flor que nunca em vida colheremos,

E num langor cortante envolvemos

Os braços noutros braços, vago sonho,

Num mundo íntimo, oculto que nós temos

Onde nos espera um Éden risonho,

 

Que sonho mais que a magra poesia,

Que poema encontro além do que procuro,

Ao longe avisto o prado que queria,

Deitar-me e contemplar o céu mais puro?

Que sombra me persegue impaciente

Que lógica me turva o pensamento,

Que ingratidão me torna inconsciente

E vem anestesiar-me um sentimento.

 

Mãos de veludo, dedos de cetim,

Tocando as rendas íntimas, secretas,

Corpetes, cheios de cheiros de jasmim

Onde meninos nos atiram setas

Afiadas de amor cândido impossível

e nos obriga sempre a homens sermos

Paraíso interditado, inacessível

Que cegueira esta sermos sem sabermos.

 

Sem levantar o véu da suspeição,

Sem levantar do chão espessa poeira,

Sem querer açoitar meu coração,

Olho! Não está ninguém à minha beira,

Perto de mim, o livro permanece,

Fechado e mudo, e mudo, ando com ele

Porém, o tédio esvai-se em sangue e esquece

O suor salgado que escorre na pele.

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