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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Na errância é que me encontro

Bem sei que sou confuso, louco, doente, instável

Longe de tocar um dedo na lucidez,

Bem sei que sou humano monstro abominável,

Teus olhos negros lembram-me a pequenez.

 

Se segues uma estrela que não é a minha,

Coragem, como eu tenho de tê-la também

Seguir este percurso breve que adivinha

Haver sinais do mal, haver sinais do bem.

 

Esta indelicadeza de responder não,

Profundo como um peixe saltando da minha alma,

Nasce pois me recuso viver na ilusão,

Doença do espírito, temor da hercúlea calma.

 

Toda a religião é conversão inútil,

Mesmo que a natureza seja de bandido,

Deixa-me ser descrente, mole, doente, fútil,

Ser como errante o vento que anda no ar perdido.

 

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