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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Dias Contados

Agosto 09, 2010

Silêncio, há pouco; existe nos confins do mundo

Um templo de silêncio erguido em minha mente,

Um dia viverei a vida num segundo

Debaixo deste pano azul, naturalmente,

 

Levei à algibeira indiferente a mão

Tudo o que tinha dei ao pobre que passava

Fiquei com tudo ainda, o sonho, a ilusão,

Deus não estava presente, o sol testemunhava.

 

Silêncio pouco existe, a Morte existe mais

Na vida, o silêncio estende-se no horizonte,

Vós, astros brilhantes, tudo testemunhais,

Levai-me pelo rio de ouro até à fonte.

 

Enquanto escrevo, cresce erva à minha volta

Daninha igual àquela que um túmulo cobre

Meus pensamentos são a minha fiel escolta,

Igual ao guarda-costas que protege um nobre.

 

A lógica das coisas simples me fascinam,

Dão-me vontade ter essa simplicidade,

Porém, o mundo tem estradas que se inclinam

Que nos levam ao voraz abismo da vaidade.

 

Não é lá grande coisa hoje ser-se poeta,

Talvez num amanhã longínquo, bem distante

Sentir toda a verdade crua é a meta

Que máxima é viver no mundo sempre errante.

 

Mais tarde somaremos dias que não foram

Dias sem exemplo, alarmes na memória,

De vez em quando sinto estrelas que em mim choram,

Dos dias que vivi e contam minha história.

 

Parece que não chega e quero sempre mais,

Minha ambição não vai além do meu sentir

Como as coisas me serem notas musicais

Razão do meu gostar, meu sagrado elixir.

 

Ondulam molemente os ramos do salgueiros,

A sensação estranha ser ramo flexível

Sentir o resinoso cheiro dos pinheiros

Desperta sensações do meu passado. Incrível!

 

À medida que o tempo avança é doloroso,

Lembrar-me disto e mais que vou lembrando,

O tempo é como o Inverno frio e rigoroso,

No Tempo, vou indo, os versos vão ficando…

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