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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Entre o Céu e a Terra

Julho 13, 2010

Traí a confiança da Musa antiga e bela,

Nascida como um vento nascido no oriente,

Não basta ter o brilho etéreo de uma estrela,

Sabe-me muito a pouco ser somente gente.

 

Acolhe-me, no leito, tu que não te vejo

Que me disseste um dia haver um outro em mim,

Abrindo-me os portões pesados do desejo

como à noite se solta o cheiro do jasmim.

 

Perdoa-me! Que faço com a doce vida

Como se inútil fosse lúdico brinquedo,

Vi minha vida sempre a ser por ti vencida

Fui recorrer a ti para espantar o medo.

 

Na infância tempo havia, pra deitar-me e ver,

Num público jardim com a relva cortada,

E a folhagem dos choupos no Outono a perecer

“Eu sou feliz”, pensava, sem ter minha amada.

 

Amor era o que via, era o que a flor mostrava,

Era o que respirava, o ar, o sol, o mar

Era de tarde a areia fina que escaldava

E me aquecia dentro a alma a resvalar.

 

Era fechar meus olhos contra o sol e ver,

Pontos minúsculos de cores desiguais

E aquele azul do céu vibrante preencher

O espaço, cheio de culpas e dúvidas fatais.

 

Era quando chovia e o sol ao mesmo tempo

Nos dava o Arco Íris nítido, perfeito,

Que ali sonhava andar, no fim do mês Setembro,

Que o Verão se curvava ao Outono com respeito.

 

E as ruas enchiam-se de folhas espalhadas,

Na terra borrifada por chuva miúda,

e as árvores desnudas, como atormentadas

Pediam com pendentes ramos por ajuda.

 

Saudades, quando as ruas eram infantários,

E não se tinha medo de brincar na rua,

E os nossos jogos em compassos quaternários

Eram o nosso curso, o curso igual à Lua.

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