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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

A conta que Deus fez

Junho 01, 2010

I

 

Minha embainhada espada posta a um canto!

Já meu desleixo foi longe demais,

À toa esgrimo agora, as musicais,

Melodias expelidas. Mas no entanto,

 

Sinto-te invisível, consolação,

Que teu materno abraço sinto agora,

Em mim, há uma criança órfã que chora,

Que cinjo no meu peito, ó coração.

 

Como um mágico antúrio empertigado,

Viril, vaidoso, ousado, altivo, erótico,

Que não deseja mais que ser amado

 

Ainda me sinto fruto, um fruto exótico,

Meio verde, meio maduro ser trincado

Por este mundo estranho, vil, robótico.

 

 

II

 

Entre esta melodia melancólica,

Floresce-me um desejo de dizer,

O que sinto e não sinto do viver

Quando o meu mundo abala e a alma é bucólica

 

Impérios por fundar, templos erguer

Como não haver parques pra crianças,

No meio da cidade sem esperanças,

Longe de mim ter mais que meu querer.

 

Não sei ser outro, amiga, o ar infantil

é uma esperança inútil que me salva

De andar morto na terra ainda em vida

 

Sou quem pretende o céu azul anil

Escrever-lhe um poema com a cor de malva

Até que sinta ser folha vencida.

 

 

III

 

… e não esquecer-me nunca o amor que sinto

Pois que esta mão gentil me mima e ampara,

Ó tédio, hei-de sorrir por ver-te extinto

Montanha inacessível que escalara,

 

Onde atingira o cume alto indistinto

Por nuvens que num dia as desmanchara

Num poema, palco flutuante, onde minto

E minha alma no alto Olimpo é cara.

 

Meu passado... que sonho tão distante,

Costa a afastar-se, no navio presente

Aceno! Ignoro o meu futuro incerto

 

Qualquer momento é feito de diamante,

Meu El-Dorado de ouro reluzente

Que foi por mim um dia descoberto

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