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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

O Inevitável

Abril 28, 2010

Eu quero ir ver os brincos das senhoras

Floridas árvores há bem pouco tempo,

Polir as coisas que já não me lembro

Os memoráveis rostos das pessoas,

 

Ver o que o Além bem longe me reserva,

E sustentar-me só co' o meu sentir,

Deixar-me a vida o mundo decidir

Se dentro de mim faz sol chove ou neva.

 

Eu quero ir mais além, mais longe sempre,

Exausto de encolher-me há muitos anos

As coisas boas grátis que sonhamos,

Esvoaçam, declinam velozmente.

 

Eu quero ser o sal para dar gosto

A uma conversa insípida irritante

Lançar semente num campo de espanto

Até onde, tão perto, António foste?

 

Eu quero ouvir o voo das borboletas,

Sentir que as pedras têm coração,

Entrar enquanto explode e arde um vulcão

Onde imaginam versos os poetas,

 

Pagaram-me bilhete, enfim, estadia,

Fizeram-me as malas, tive tudo

Enfim, fugi, escapei-me tão confuso

Fugiu-me um tempo que no tempo tinha

 

Enfim, escolhi andar, fazer ginásio

Nas máquinas da mente disponíveis

Um, dois, três, quatro, sempre, subi níveis

Maldito exercício feito em casa.

 

Se a pena fosse o sexo masculino

E a tua entrada fosse o alvo papel

Faria amor assim, espontâneo angélico

Sentido uma explosão no céu, a ir-me

 

E as mãos que meto nos teus lindos seios

Como laranjas gordas cheias de sumo

É para reanimar-me o interno lume,

Que se extinguira entre seres perfeitos.

 

Bom dia à recepção, bom dia prédios,

Gigantes Argos cheias de olhos vítreos,

Bom dia à confusão de imagens, vídeos

Que nos seduzem com grotescos credos.

 

Bom dia aos meus papéis que atiro-os farto,

Ao chão sem chão, ao negro e fundo abismo

Séculos levarei a corrigi-los

Parecem gado livre em verde pasto

 

Ó perfeição que há na intenção dum homem,

Violino que na orquestra desafina,

Entre outros não se nota, mas reanima

Coração insaciável cheio de fome.

 

Por descobrir está esta nova era,

Que outros mais tarde em fúria lembrarão,

Ainda hoje gregos, troianos nos chamam

Das cinzas espalhadas pela terra.

 

Mecanizada vida, que engrenagem

Válvula ou mola interruptor que chame,

Movimento vacilante que me acanho

A ser tudo menos farsante imagem

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