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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

"... e a vida fosse um vício"

Abril 09, 2010

Que grande mistério a escura morte,

Maior este mistério: a clara vida,

Que enigma a enrolar-me na onda forte,

E brava, como o aceno à despedida,

Uns vivem gordos, nédios, abastados

Outros, vivem de sensações, lembranças,

Outros da fé, da esperança, enganados

Uns vivem, outros só de desconfianças.

 

E que mistério colossal o amor,

eu que julgo senti-lo percorrer,

Meu corpo que declina no esplendor,

Em cada átomo ínfimo no meu ser

E a sensação de plenitude instável,

Sentir-me vivo em cada manhã fresca,

Ouvir no vento um verso insustentável

Na memoria que a vida nos refresca.

 

E que grande vertigem hoje sinto,

Sentir a dura terra e o sol distante,

Como a louca alucinação de absinto

Que me acompanha sempre degradante,

Nas barras invisíveis que me barram,

Nos muros que me cobrem o infinito

As nuvens escarninhas nos agarram

Nas árvores, ou conto, lenda ou mito.

 

e todos os pecados que inventaram,

e que eram todos grandes pecadores

E os que disseram que nunca pecaram

São de mentiras, grandes inventores,

E tantos deuses (deuses!) que inventaram

Falsos Messias, magos oradores,

E os que inocentes ao fogo lançaram

Verão no Inferno fogos bem piores.

 

Ah se pudesse a máquina do Tempo

Travar e o mundo inteiro atravessasse

E detivesse o sol do mês Dezembro

Rosado ao fim da tarde, e embelezasse

Paredes brancas cheias de vazio

E fosse abelha e as flores fossem bocas

E fosse mar, regato, calmo rio

E andasse com formigas e minhocas.

 

E dentro de mim fosse a vida inteira

No céu explodindo fogos de artifício,

E jogos de água, e fosse verdadeira

A própria vida, e viver fosse um vício

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