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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Onde mora a minha vida?

Março 25, 2010

Onde mora a minha vida,

Em que número, em que rua?

Procurei-a na descida,

Ajudado pela Lua.

Onde moras, minha vida

Meu espírito por ti flutua,

Vejo-te à espera, despida,

Espera-me, tão linda e nua.

 

Qual será tua morada

Sei que de mim moras perto,

Numa rua, numa estrada,

Praia, monte, mar, deserto,

Na floresta, bosque ou mato,

Num esconso que não vejo,

Que um dia vi num retrato,

Que tirei ao dar-te um beijo.

 

Com quem vives, minha amada,

Vida, que nunca esqueci,

Espero-te que bem casada,

Com um céu que nunca vi,

És estrela, astro, planeta,

Que flutua no universo,

És a pena de poeta,

Que lhe dita o imenso verso.

 

És a cauda de cometa

Ou uma estrela cadente,

És do amor, Cupido, a seta,

Que passara por mim rente

Que raspara no meu braço,

Quando ia só a  passar,

No mar novo, imenso espaço

Que o homem quer conquistar.

 

És o breu da noite eterna,

voz que terna me sussurra,

Veloz tempo que governa,

Com vontade, que me empurra,

És o canto que anuncia,

A alvorada , galo exacto,

Rouxinol ou cotovia,

Que cantam ao desbarato.

 

És o lírio casto, branco,

Preso numa escura igreja,

Posto no altar mor que arranco

Só o silêncio te deseja,

És o tigre numa jaula,

És a chita que não corre,

Artista na sala de aula,

Que só a arte lhe socorre.

 

És, enfim, tudo que à volta,

Me rodeia, és meu amor,

És em mim um Diabo à solta,

Que de sangue sou dador,

És a peça que me falta,

Encaixar na breve vida,

És a cor que a terra esmalta

Filha da terra perdida.

 

És a luz que em vão procuro

Numa sombra esmaecida,

és a água o que há mais puro

Serás sempre a minha vida,

És a que não tenho e penso,

Diariamente, noite e dia,

Que ao teu mundo não pertenço

Pois pertenço à Poesia

 

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