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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Noite em Branco

Janeiro 26, 2010

Renúncias são águas do rio caudaloso,

Meu peito transbordara, não aguenta mais,

São mágoas, lodo imundo, e o beijo estrepitoso,

Seria nota escrita em pautas musicais

Esvazia as mãos de inúteis afazeres,

Unindo às minhas, cheias de prazeres.

 

Unidos, não nos vale enchermos de pudor

Angélico e espumoso vale de lençóis

Aberto, invoca-nos o tépido langor,

Que alegra, em verdes campos, secos girassóis.

Soubesses quanto, tíbio, me entristeço,

Aranha, sou. Que triste teia teço!

 

Se encontro bom remédio no vale macio

Meus olhos astutos, enfiam-se na blusa

Avistam cidadelas, tórrido arrepio

Me causa, interrogando a alma tão confusa,

Porque esbanjamos tempo inutilmente

Ao que pode ser feito mais à frente.

 

No que entumece muito, amor, só por olhar-te

Vê bem, cresce-me ardor; porém, cresce-me a hera

Do olvido que me cobre a cobra astuta de arte,

De susto por cobrir-se cedo na quimera,

Murcho, frouxo, trémulo, assustado

Não te comove vê-lo exilado?

 

Basta! Irei esvair-me em verso húmido, ardência

Do clássico poeta em busca de argumento

Ou antigo filósofo sua sapiência,

Perdido no labirinto do pensamento.

Ó voo icário inglório que diviso

Ficar à entrada do teu paraíso.

 

Mas sinto a intrometida lula mergulhar

Nas águas proibidas dos teus fundos lagos

de pernas, ombros, veias, dedos a invocar

Carreiros de formigas, beijos, mil afagos,

Vivendo no subsolo do teu corpo,

À espera que não seja o tempo um sopro.

 

Rasga-me a noite, Lua, entorna-me luar

Preenche o azulado vazio, prata inútil

Tua negra plumagem possa agasalhar

Esta criança fraca, triste, afável, dúctil.

(Olha-me aquela bela criatura,

Encheu-me o peito fraco com ternura.)

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