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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Meu Céu Azul

Janeiro 06, 2010

Donde virá esta dor que me enlaça,

esta fúria que abraça, morde e atordoa,

donde virá este amor que me abraça,

Lembrando delírios do nosso Pessoa?

 

É gota de sangue caída no chão,

Estilhaços de vidro, de sombra no mar,

Rebenta-me as minhas bolas de sabão,

Que alegre me sinto largá-las no ar.

 

Em busca de Proust do tempo Perdido,

chamando seus livros, nenhum encontrei,

Sou chuva sou neve, gelo derretido,

Sou folha de plátano na água deslizei.

 

Sou estátua marmórea num largo jardim,

Telhado de vidro, abóbada celeste,

Sou poema gritado, sou livro sem fim,

reflexo no espelho do sol que me deste.

 

Sou sombra nocturna na rua apertada,

Povoada de vício devasso de crime,

Procuro no escuro a Lua encantada,

Alguém que me encontre, incendeie, reanime.

 

Sou cinto apertado, inútil gravata,

Sou lente perdida pra sempre no chão,

Sou ramo espinhoso, veneno que mata,

Flor tóxica, ideal que me mata a paixão.

 

Pirâmide do Egipto, muralha da China,

Que nunca encontrara como ser quem sou,

Sou língua fecunda que beija a vagina,

Da terra, imagina, quanto me encantou.

 

A Lua persegue-me, obscura, sombria

Pulando telhados, prédios, catedrais

Já este negrume do céu enfastia,

Cobrindo meus versos, Musa, musicais.

 

Ó escadas rolantes, levai-me lá cima,

Rasgando este manto tão escuro do céu,

Mensagem electrónica, traz-me a rima,

Descomunal força do forte Teseu.

 

Sabe-me isto a pouco, enlouqueço; compara

Esta minha loucura co’ a neve que cai

Na Europa assolando o lar do amparo,

Miséria que nunca, minha gente, sai.

 

Ó flor deslumbrante, que abrasa, que ateia,

Um fogo vibrante, vivo, furioso

Que por meus sentidos parece a alcateia

De lobos, mordendo meu lado meloso.

 

Ó lúbrico fogo, dançante, exótico,

Tu pões-me nos olhos tom rubro do Inferno

Incêndio lavrando tal poema erótico

teu corpo gelado do frio de Inverno

 

Ó vento ocioso, gemente, uivante

Inútil, que empurras o ar contra nós

De lâminas finas, torna-se o ar cortante

Que entra nas narinas e nos rouba a voz.

 

Ó jacarandás mimosos sem flor,

desnudos salgueiros, tristes oliveiras

depenas-me, ó tempo, amargas-me o amor,

Que sinto por coisas puras, verdadeiras.

 

Que carros modernos me venham tirar

A neve gelada dos meus pensamentos,

com mil pás mecânicas, possam andar,

Nas ruas da mente livres sentimentos.

 

Ó poética Musa que sinto e não vejo,

Abraça-me, encosta meu rosto aos teus seios,

Despede a ansiedade, verme do desejo,

Lança-me feitiços com teus devaneios,

 

teu corpo de estrelas e constelações,

Flutua solene nos sonhos nocturnos

Que a chuva de versos são como balões,

Largados no céu, de encantos diurnos.

 

Ó génio da lâmpada, mulher-Aladino

concede-me três desejos de estranho

O primeiro é ter-me pra sempre menino,

Amar-te, o segundo. O terceiro? Não tenho

 

Animo o momento, plantando a ruína,

No ofício que eleva a cor da Natureza

tudo o que me envolve me abraça, fascina,

Há religião em amar a Beleza.

 

Ó fome apertada, fútil, momentânea

Ó sede que engano com água dos olhos

Minha alma maldita, torna-se espontânea,

Ouvindo rugidos e vozes dos escolhos.

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