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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

As Janeiras

Janeiro 04, 2010

Bom dia, Dois Mil e Dez,

Bom ano! Bem que vieste,

Sombra colada a meus pés

Esguia de verde cipreste,

No início é sempre mudança,

Que metemos na vontade,

Nada muda, só a esperança,

Que esmorece, na verdade.

 

Observo o mundo lá fora,

É muito mais velho que eu,

Sou aquele que namora

As infindas estrelas no céu

Sou o que trago vontade,

Dobrar o férreo destino,

Que funda soa à idade,

Ao ácido som do violino.

 

Ó rostos que agora contemplo,

Ó bocas que nunca beijei

Ó deusas que oram no templo,

Que o corpo nunca tomei,

Papéis esparsos que tenho,

Guardados numa gaveta,

Meus solilóquios de estranho

São mil devaneios de poeta.

 

Ó duas pombas mimosas,

Que vira hoje de manhã,

Que voaram tão deleitosas,

Aos meus olhos sem amanhã,

Minha amálgama terrestre,

Serei sempre o que escrevi,

Serei o fruto silvestre,

Que plantei e não comi.

 

Não há cura a esta doença,

Que padeço por olhar

Crio à alma desavença

Por ver sem poder provar,

Sou a chuva copiosa,

Que não cessa o versejar,

Sou a nuvem langorosa,

Que não vive sem parar

 

Sou a geada matinal,

Na selvática verdura

Sou a aurora boreal

Que dum céu anda à procura,

Sou a roda giratória,

Que nos anuncia a sorte,

Sou a nota introdutória

Escrita pela mão da Morte.

 

Quantos poemas escreverei,

Ano Novo, Vida Nova,

Quantos versos já sonhei,

Cuja vida mos reprova?

Servirão de alívio doce

Aos que sofrem neste mundo

Como se a salvação fosse

Para as mágoas lá do fundo?

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