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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Interrupções

A madressilva cresce com suas bagas roxas,

Colada à coluna de mármore rosado

Que tua flor febril, por entre as tuas coxas

Emana – ó Paraíso, um cheiro adocicado.

 

Gasto de cumprir mandatos e deveres

Opostos à vontade imprópria e proibida,

Na tua entrada rósea existem mil prazeres,

Onde lá dentro posso achar uma saída.

 

Lábio humedecido, encontra um louco lábio

Pergunta-lhe: Quem és, que vens matar-me a sede?

Morde-se a si próprio, responde qual sábio:

“Sou lábio igual a ti que por teu amor pede”

 

A rigidez dos corpos gélidos dos dias

Derretem nesta dança o gelo glacial,

Pudesse derreter-te a alva neve, e gemias

Canção primaveril, triunfante e musical.

 

Num sufoco dorido, encontro o meu martírio,

Achar-me nos jardins antigos do prazer,

Há muito que não gozo ou voo num delírio

Nos céus coroados de fogo ao entardecer.

 

Declame a minha boca versos proibidos

Ouse cantar-te só o que minha alma sente

Não mais suporto a angústia de estarem contidos

Num músculo sanguíneo que há na minha mente.

 

Sejas vibrante lira, ou harpa encantadora

Sejas violino agudo ou grave violoncelo

Que tua alma se enleie, Musa inspiradora

E rolem, nossos sexos, juntos num novelo.

 

Que nossos corpos nus se unam numa causa,

Alívio dando à Vida, à Morte dê repulsa

Entre mansas carícias, beijos curtos… pausa

A pele se arrepia, o corpo o aperto expulsa.

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