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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Ecos da Infância

Mudei, não sou o mesmo. Mas quem pode ser,

Ser sempre igual? Fiz tudo p'ra ser sempre igual,

Morri, não sei viver, nem tenho um só querer,

Tem sido este meu mal.

 

Mudo como a chuva pára a meio do Outono,

Até na cama mudo de alma e posição

Mudo enquanto dura a febre que há no sono

Mas nunca o coração.

 

Esse, quebra, pára, corre, e assassina,

As sensações divinas, torpes e amorosas,

Dói-te coração da vida que destina,

Ter noites assombrosas.

 

Escuta, meu martírio, tu que vens bater-me,

À porta do palácio espírito inquieto,

Diz-me se mais tarde irei reconhecer-me

Ou serei ermo e deserto.

 

Sou tão inconsciente, tenho, em demasia,

Da vida consciência e a percepção da morte,

Segui a indicação da seta: Poesia,

Foi esta a minha sorte,

 

Ou azar, não sei bem. Eu já não sei mais nada,

Contemplo, vivamente, o que à volta rodeia,

Farto ser sensível por tudo e por nada,

Dei ouvidos à sereia

 

Dias tão felizes tive com tão pouco,

Ao rio atirei, pedras num dia de Verão

Antes da minha alma adoecer, ser louco

Mas agora? Agora, não.

 

Ouvi as pipilantes aves na infância,

O mar rugir feroz, cantar canções obscuras,

Mas tudo era ilusão, vivida na ignorância

De abraços e ternuras.

 

Sei bem quem fui. Mal sei quem sou. Sou outro agora

Invoco sem saber idílicas paisagens

Vêm sempre em má altura, sempre à mesma hora

Da infância, mil imagens.

 

Onde estarão aqueles que comigo andavam

A chafurdar na lama, a rebolar na erva

Com papelão, comigo, alegres, deslizavam?

Que adorável caterva!

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