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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poema Inacabado

Maio 05, 2009

Há nesta imensidão escura aveludada

Uma lágrima solta, suave e purpurina

Rolando na marmórea estátua cinzelada

Pelo meu gosto, flor erótica divina.

 

A fresca exalação da boca, a primavera,

Do corpo, o movimento clássico do mar,

O fluxo e o refluxo, o sexo e a quimera,

Num leito perfumado, nimbado de luar.

 

A cama cor de musgo, o sonho cor do céu

O beijo de cereja, o envolver dos ramos,

teu corpo transparente, a timidez de véu

Nervosas mãos que tangem músicas que amamos.

 

É tudo o que imagino, sonho, anseio e quero

Roubar-te doce fruto do estreito pomar,

A lassidão da tarde, o sol, o desespero,

A pressa nos meus braços ter-te e abraçar.

 

Há neste firmamento miríades de estrelas

Várias constelações, se unires os meus versos

Figuras luminosas, luzes, sentinelas

Milhões de sentimentos vagos e dispersos.

 

Há nesta escuridão imensa um mar de luz,

Quando na luz me sinto cheio de escuridão

Reúne este meu mundo: vê o que produz

Vê nítido o fundo, o fundo do meu coração.

 

Lembram-me os jardins da babilónia antiga,

De jardins perfumados de labor lascivo,

é meu segredo, abrigo, onde canto a cantiga,

De quem se sente só, pasmado e pensativo.

 

Tem o odor da crença, o odor morno do sexo,

As contrações finais do milagroso músculo,

O cheiro a liberdade, a suor do meu amplexo

Sorrindo em direcção à chama do crepúsculo.

 

São versos arrancados quando a hora aperta

Com aspereza as mãos cheias de imenso tédio,

Passeio à beira mar numa praia deserta

Se do terrível ócio sofro seu assédio.

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