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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

«Dorme, meu filho!»

Quão doce contemplar meu belo filho,

Deitado num embalo de doçura,

Completamente fixo, um astro, um brilho

Na escuridão que paira em mim, que dura

Suave como um lenço a desprender-se

Caindo numa calma em queda de água

Sentindo à sua alma a minha render-se

Tornando-se vapor dúvida e mágoa.

 

Vejo seus frágeis dedos encolhidos

Move-se a mão pequena vagarosa,

Nas pálpebras os olhos recolhidos

Na timidez de imaculada rosa

Tão leve como o voo da gaivota,

Volvendo os ares cheios de ruídos

Depois da noite de alta risota

Polindo baço espelho dos sentidos.

 

Incrível como move-me a atenção,

como um farol no meio do oceano

Lançando sempre um nítido clarão

A ver se no seu sono existe dano,

Como se caminhasse nos nenúfares

Que lá meu filho planta ao rir-se eu ando

Tão leve nos sentidos, despertares

de quem andou no céu astros traçando

 

Melhora-me, tão certo como andar,

Na terra, como envolto por fascínio

Num sonho passageiro de luar,

Ou assistir do sol o seu declínio,

Meu filho tão pequeno é benfeitor,

Guia-me, no teu vento, na tua asa

De achar-me nesse trilho, nesse amor

De achar-me no conforto em nossa casa.

 

Que homem serás? Caio na expectativa,

Seres melhor que o pai que muito te ama,

E que mulher terás, na tentativa,

De achares-te novamente mas na lama,

Ou não! Quem sabe disto, nada sabe,

É como não saber de poesia,

Do verdadeiro amor que em verso cabe,

Mas que meu filho em vida desconfia

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