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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Discórdia

Dezembro 16, 2008

Não me chega, amor, o espaço que agora sinto,

Fechado no Universo absurdo que há em mim

Vivo para explodir várias vezes num minuto

É cedo colocar uma placa em que diz fim.

 

Nada me chegará que venha a ter. Não, nunca!

Nem é demais o céu sem fim, azul, eterno

Há vários horizontes na cidade pra atingir,

Há povos dentro de mim que vivem sem governo.

 

Nem no cume da juventude achei-me belo

O suficiente para conquistar um novo mundo

Lívidas sombras num crepúsculo resplandecente

Ah, se pudesse explodir num só segundo.

 

Nem no átrio da Liberdade me sinto livre,

O suficiente para resistir ao fogo, ao vento,

Criando magia de enraivecer-me em verso,

Nas mãos ilusionistas do meu pensamento.

 

Como não poder entrar na mente do gato,

Esquivo, detentor daquele olhar divino

Salto de pedra em pedra, rocha em rocha, em busca

Da explicação discordante do desatino.

 

Sabe-se a morte por leitura de um jornal,

Aberto, manchado por notícias pavorosas,

Sabe-se que tudo terá seu fim em tudo

Aceito o entristecer do esplendor das rosas.

 

Escrevo para dar comigo mais em doido,

Adoro endoidecer se o sol vem subornar-me

Com ouro nas paredes, passeios e avenidas

Na altura em que me sinto um saco a esvaziar-me.

 

Pudesse a alegria de Mozart contagiar-me,

Como me contagia quando a oiço e vem,

De súbito lembrar-me a lágrima a Beleza

Se estúpida a tristeza uma lágrima não tem

 

Eu quero ver aonde vai o meu poema,

Ver se na vida pára e anda na eternidade,

Parecido com saber o fim de qualquer filme

Que se ama, e se descobre o rosto da Amizade.

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