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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Saudação à Alvorada

Novembro 12, 2008

Um sossego constante que chega na manhã,

Pálida imaculada e azulada no céu

Um Arco do Triunfo descreve a vida vã,

Desfila em cerimónia tudo o que não é meu.

 

Meus olhos esmorecem, sem brilho, ardência ou fogo,

Fazem de mim um ser sinistro, repelente

Crime repousá-los num lago onde me afogo,

Tomando anotações dentro da minha mente.

 

As minhas mãos gretadas do frio glacial,

Que nunca vem no vento, só dentro da vida,

Congela a minha ideia ser simples, natural

Nas ruas e passeios, entre a gente despida.

 

Minhas ideias surgem em lugares proibidos,

Colados nas paredes sinais de proibição,

Mas minha tentação expressa nos meus sentidos,

Fervilham mil ideias dentro do coração.

 

Onde mais me perdi, onde mais me encontrei,

Ignoro como ouvir a rádio pela manhã

Em muitos amplos mares, confuso me afoguei

Caminho em direcção ao rubro e novo amanhã.

 

O vento antigo está sempre actual, moderno

Estará dentro da moda sem sofrer repressões

E maternal a terra, o céu sempre paterno,

Acolhe mais um louco que tenha sensações.

 

Ergui no céu ideias, florestas e castelos,

Demorei-me num sonho que nele desenhara

Desenrolei palavras, com elas fiz novelos

Escrevendo magras linhas das coisas que sonhara.

 

molhei meus sequiosos lábios com poemas,

Esqueci-me de ambições, falsas inúteis, vagas

Porque encontrei Beleza nos mais pequenos temas

Cravam na minha alma um batalhão de adagas.

 

Nem sei me inventei se foi o tempo que o fez,

Não precisei de nada por precisar de tudo

Mas lembro-me ter sido um génio uma só vez

Quando entre gente alegre fiquei sozinho e mudo.

 

O sangue que me corre como uma sinfonia,

A culpa é de meu pai que deu-me para ouvir,

A música suprema que me alegra de dia

Que me comove tanto como uma ave a fugir.

 

Agora que me sento à frente do meu nada,

Agora que mergulho ansioso num abismo,

Agora que me perco no olhar da minha amada

Vejo quanto é vago todo o meu romantismo.

 

Às vezes sou pequeno à sombra deste mundo,

Que avança no progresso com passo de gigantes

Às vezes numa hora sou grande num minuto,

E não me resta ser mais nas horas restantes.

 

Pisei, algumas vezes, pequenos palcos onde,

Me foram ver cantar belas canções antigas

E neste repertório, onde meu ser se esconde,

Por não tê-las escrito, declarei-as inimigas.

 

Que maços de papéis sirvam pra me aquecer,

No lar quando sofrer de frio igual à morte

E possam da fogueira dedos quentes estender

Roçando no meu rosto a maldizer da sorte.

 

Meus versos coloridos de mornas sensações,

Servem-me de presente no presente se ausente

Das vagas de tristeza que engolem corações

Heróicos que demonstram ser frágeis entre a gente.

 

E sejam meus olhares sorrisos de criança,

Para decorar bem os traços das pessoas

Cheias de expectativa, vazias na esperança

Para saber se são más almas ou almas boas.

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