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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Devaneio

Agosto 26, 2008

Aceno como um louco e digo adeus

Nos versos meus soltando um grito mudo

Que nunca grita o fogo que arde em mim,

Enfim, fogo não arde, chama de vela,

Pinto numa tela toda a vida,

Sempre envolvida em lava de vulcão,

Grita-me o coração a tempo inteiro,

Que sejas verdadeiro o tempo todo,

Sempre num modo brando de poeta

Em linha recta, como Aquiles bravo,

E agora escavo fundo a cova escura,

Sem ser a sepultura antecipada,

Repousa, ó minha amada, ainda pulsa

O que repulsa a morte tanto a vida

Como ver-te envolvida nos meus braços,

Ouvindo os passos no ranger dos dedos,

Sem medos, no teu corpo atapetado

Durante um bom bocado, me exaltando.

O que vou dando é pouco, amor, bem sei

Nisto pensei durante a vida inteira

Eu tenha, da oliveira, uma tristeza,

Sem cura, a natureza de quem cega,

E rega em solto pranto o campo extenso

Ao qual pertenço, o traço numa tela

Exacto, àquela imagem que espalhara

Onde me ampara ou não ser ou ter sido

Se entendido por tão pouca gente,

Mas lentamente, no ritmo das horas,

Sei porque ignoras minhas ambições

Por serem ilusões de uma criança.

Porém tanta esperança ela fornece

Nunca se esquece o riso puro e terno

Ou sonho interno que dentro se guarda

Na caixa duma mansarda em ruínas,

E tudo o que me ensinas não me esqueço,

E se mereço ignoro. Assim me encontro

Num ponto em que mantenho útil andar

Sem me acalmar, bem sei, fervendo em pouco,

Por ser em tudo louco onde me vejo

Na água, arquejo como a árvore esquálida

Numa cálida noite de Verão,

Onde questão alguma em nada existe

E só persiste em Tempo a mágoa, amada

Beijada mão, na vénia à natureza,

 

Enfim, nada te soa este poema,

Meu louco devaneio do momento.

Confuso, assim me soa o pensamento

Servindo à Liberdade um belo emblema

 

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