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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Dúvida

Quisera um dia que fosse poeta
no tempo intermitente entrecortado
que escrevesse mentiras e baladas
na cadência destrutiva em linha recta

meus olhos exaltados foram meigos
traziam desenhos limpos de crianças
a pureza a inocência são lembranças
que em fase adulta nos tornamos leigos

admito nunca andei por um deserto
mas sinto o que não pude experimentar
ar novo de atmosfera alternativa

E o que me vai mantendo são desperto
É um rodopio que tende a aproximar-me
Da sorte que ainda quer que eu triste viva

visita de médico

há rostos como existem flores
abrem-se aos sóis de rostos alheios
deixam abelhas colherem risos
e alojam vermes como hotéis

o pardal cantava num ramo
pressentiu o perigo voando
para longe da humanidade
que pudesse atingi-lo

os guinchos foram de férias
andavam incautos no lodo
voaram e foram-se embora
sem aviso sem riso sem vestígio

sosseguei uns minutos retesei
os músculos o sangue fluía-me
em leves e suaves murmúrios
o Amor veio-me de supetão

juro que vi uma lebre que saltava
na vegetação, não a viste
não poderei provar a verdade
do que se fez e do que se disse

fiz o teste à infância deu
positivo não ando mais no
asfalto de giz nos dedos
a escrever versos lúdicos

tivesse na concha das mãos
a claridade nas folhas verdes
atrás de si, doutor, o meu
coração bateria sempre

A teia

A teia pegajosa da medicina
A teia invisível financeira
A teia de atear-se fogo à madeira
A teia entre Israel e Palestina

A teia da sinistra tecnologia
A teia embrionária do arquitecto
A teia do ser branco ou do ser preto
A teia que intrincaram dia a dia.

E quanto mais se fala mais se oculta
E quanto mais se esconde mais ataca
E quanto mais se enreda mais adulta

E quanto mais se ignora mais expansiva
E quanto mais se encobre mais opaca
Se vai espalhando a treva em morte activa

 

Soneto "O Delícia"

Existe em Moscavide um restaurante
onde se come bem e a qualidade
supera os outros sítios na verdade
com simpatia servem num instante

na ementa há muito por onde escolher
no peixe, há arroz de polvo, bacalhau
há robalo, sardinhas, carapau
chocos com tinta lulas se quiser

na carne há bitoque, há bife à casa
há toda a chicha que se põe na brasa
regado com bom vinho (ai a Polícia)

há uma lista infindável de petiscos
peixe fresco, carne tenra, bons mariscos
o restaurante chama-se ‘O Delícia’

 

A ementa 'O Delícia'

Têm tudo para comer
há carne peixe e marisco
lista enorme nos petiscos
lista enorme no beber

servem croquetes, rissóis
patés, manteigas e pão
servem também caracóis
com pão torrado e paixão.

têm lá dentro um aquário
com caranguejo e lagosta
ele parece ordinário
ela parece que gosta

servem jantares almoços
que o servir é muito nobre
servem cerveja e tremoços
sejas rico ou sejas pobre

a casa de banho impecável
brilha com delicadeza
que isto comer é saudável
quando também há limpeza

se o Delícia existisse
há duzentos anos então
talvez um dia servissem
o guloso do Napoleão

ou se em vez de Moscavide
estivesse na Galileia
tenho a certeza que Cristo
faria lá a Última Ceia

mas mesmo na Última Ceia
até Jesus Cristo pagou
a conta sem a Judas de custo
foi assim que Deus o levou

homenagem ao restaurante "O Delícia"
Em Moscavide

poema erótico herético

meticuloso meti guloso
melodioso dúctil
afinal o jogo do berlinde
era o estágio
mexíamos e escavávamos
a terra toda como bichos
até que caíssemos de cansaço

que bom que era
tão bom agora
no Ágora


medíamos perímetros
de circunferências
não gostava muito
agora gosto
gosto gasto gosto
o teu olho húmido
do Grande Irmão
entreabre-se
olha-me e
molha-me

comer uma ostra é beijar
o mar no centro
do sexo feminino
fazíamos ginástica
vazia imagina
cuida se os dentes
da serpente enterrados

na terra brotam
um carvalho forte
tira-me o v da roupa
e com a boca
vais ver

 

como um lugar comum

IMG_20210525_225202.jpg

como um lugar comum ergue-se a lua
há luar no quarto e devaneios imprecisos

é preciso abrir-se o diamante ao meio
colocá-lo no veludo rosa húmido
para sabermos quão genuíno e pertinaz
nos servirá e evoluirá o poema.
todas as religiões desprezam a mulher
por temerem-na, sabem que reúnem lares
conhecem os segredos dos deuses
e congratulam homens sem sacrifícios a
poderes invisíveis de cios das oficinas
gerais de filosofias utópicas e indecisas
porque o problema apresenta-se límpido
nítido não fossem as rotinas do mundo
serem contrárias ao movimento clássico
e fatídico do universo dos vulcões
das montanhas das oliveiras cujos troncos
parecem pescoços com tumores malignos
e sobretudo das florestas de decoro feminino.
calo-me moído pela pedra gigante da
subjectividade desta vida. Invocaram hoje
a grande recusa, mas será possível
a uma mosca ou mosquito demolirem
muralhas erguidas com mãos de
gigantes artífices de pedra? Como poderei
saber se a minha poesia é um bilhete de avião
que se despenhará num abismo? Que sei eu
do arco íris só porque assinei o armistício
com o tempo? Esbarro na verdade
como se a tivesse encontrado estendida
no chão num beco a esvair-se em sangue.
diziam que a lua cheia alterava as marés
mas hoje prometi não falar disso por
apresentar-se no céu vestida de noiva
como um lugar comum

Só mais um soneto

IMG_20210523_143853.jpg

 

no início do soneto exclama o Só
mas Só não é meu nome patronímico
sinto-me tonto, falta-me algum químico
Que na água se dissolve como pó.

no início do martírio vem o mar
que alguém mo arraste perto do meu leito
não sou pretérito mais que imperfeito
sou Príncipe perfeito do reino Ar

oiço o ruído esponjoso dos chinelos
da eternidade eu hei-de recebê-los
fim deste Solitário esboço poético

Já sei quando sair irei cruzar-me
com a cadela que prometeu odiar-me
que do ladrar Só o soneto é antisséptico

 

Pupilos do Exército

juntas os putos
são como esquilos
à palavra arrancas-lhe o p

com a faca
cortas ao meio
juntas o pu com ilos

num prato de nostalgia
decoras com p
e tens pupilos



António Só, ex aluno nº 372/86
dos Pupilos do Exército,
celebrando o seu 106º aniversário

O cigarro

“sou príncipe num reino de cinzas e fumo”
(falava o cigarro na boca do rapaz)
fazer grafittis nos pulmões é meu costume
dos vícios sou terrível, da saúde capataz

enrolo-me nas folhas secas do tabaco
enrolo-me na cama com a nicotina
normalmente com café ou licor de Baco
súcubo insaciável erótica assassina

faço promessas vãs à frágil juventude
mentindo que lhes dou um estilo respeitável
adoro interromper qualquer vicissitude
transformo a atmosfera do ar insuportável

tenho contrato milionário com a morte
levando candidatos novos a seus pés
a serem as próximas vítimas na sorte
apanhados na rede do vício e estupidez

O tédio é meu herói, a ansiedade heroína
se não for consumido logo no momento
num ápice convoco a fúria das Erínias
vingo o malefício ardo em lume lento

à partida sou dos fracos forte vencedor
consigo enfraquecer o corpo de fadiga
vampiro na energia, reles delator
a força de vontade é minha arqui inimiga

estimulo sensual a pose da mulher
nos lábios nos dedos na boca da boquilha
sou sócio assíduo no clube do prazer
nas ruas sou aceso uma estrela que brilha

antigamente convenci o mundo inteiro
se me chupassem à saúde era benéfico
se morro tenho por túmulo o cinzeiro
leva-me à tua boca suja é lá que fico

solitário, posso fazer-te companhia
alivio ombros vergados da escravatura
nas ruas os mendigos pedem-me de dia
à noite parecem malignas criaturas

sou unidade monetária nas prisões
conseguem-se luxos com maços de cigarros
sou rato roedor da pleura dos pulmões
alarmo quando o sangue rubro vem no escarro




António Só, ex fumador

quarta feira de cinzas

vou num instante à sala
com a única amante intraduzível
arruina-se a noite sem língua e luar
deixo-te acesa a luz do candeeiro 
não fiques à deriva no mar de brumas
fecha os olhos e voarás 
à verdejante e inefável Bucovina

já volto, vou plenamente masculino
e não me envergonho disso
vejo se a viagem ao verbo se inicia
se me decifro e descodifico
se na escuridão de tinta preta
impressa no papel branco
vem anónimo meu nome escrito.

remexo no equilíbrio do universo
como se todas as coisas caóticas
e frenéticas estivessem reunidas
num frasco de vidro como um perfume
desenho círculos com os dedos
crio novas constelações no tecto
abro o livro de memórias como feridas
e cada minuto que passa é
uma viagem próxima da eternidade
cada fio de cabelo caído
é uma minúscula despedida consegui
corrigir versos ácidos lambendo
metáforas que desfiz na boca
como rebuçados de mentol e sacrifício
fico suspenso no invisível como
se tentasse manter acesa uma vela
numa noite de ventos nascidos
em grutas distantes inacessíveis
adejam morcegos à volta da lâmpada
do candeeiro estático da minha vida
desfaço nós nocturnos traçando
planos de visita a cidades submersas
ainda por descobrir no meu ser.

Onde está agora a perfeição dos astros
é quarta feira de cinzas só em mim
e ninguém saberá o que isso significa

 

Crise humanitária

Como pode o amor alquímico nos versos
se neste instante retiram-se homens do mar
que discurso cínico de gente perversa
recusaram na Europa deixá-los entrar

vindos do morno Mediterrâneo não de férias
deram à costa extenuados cheios de fome
uns afogam-se, outros náufragos na miséria
em campos restritos - isto tem um nome.

em pleno século vinte um, que vergonha
na marroquina costa ou noutro território
a liberdade é uma mentira tão risonha
manipulado vírus em laboratório.

"não há espaço vão-se embora, estamos lotados"
recebidos com tanques e polícia coerciva
alinharam-nos em fila a maioria debilitados 
postos inocentes em prisão preventiva.

como posso cantar o amor se filantropos
jogavam monopólio enquanto acontecia
esta tragédia humanitária como roubo
à liberdade à dignidade à democracia

onde andam amigáveis Schillers do presente
que antigamente haviam cânticos de esperança
serão contemporâneos tempos diferentes
na borrasca quando virá doce bonança

vieram em busca de pão paz e sossego
quem sabe constituir família ter um lar
comícios de palavras vãs são como pregos
no homem que um dia - dizem - nos quis salvar

crianças que perderam pais no caminho
marítimo azulado e novo cemitério
enquanto nas orgias se entorna esperma e vinho
entretidos na carne, interdito mistério.

vénia à enfermeira branca que abraçava
o ser humano negro cheio de fome e sede
aquele pobre homem não tinha mais nada
pescado no martírio por obscura rede

serão levados para novas escravaturas
de máscara no rosto tudo se consegue
as notícias fabricam novas criaturas
mascaradas de verdade - alguém que as negue

indiferentes assistimos à crise humanitária
a gaivota vem à costa denuncia a tempestade
criou-se um cordão cruel desumanitário
onde é que ali está Deus, para quando humanidade?

 

A extrema solidão

a Maria João Brito de Sousa , poeta

o poeta é enfermo sua extrema solidão

tornou-se há muito tempo seu pior inimigo
a Beleza é a doença, sem cura ou solução
o poema é do real exílio ideal abrigo

o poeta ingénuo julga que comete crimes
escreve às escondidas, sofre dissabores
do esgoto subterrâneo extrai rubis e rimas
sem coroas de louros estimas e louvores

ama as coisas belas como os fiéis um deus
na luta contra o tédio é antigo gladiador
tem por tesouro ouro do sol do mês de Maio

cada minuto importa, alheio aos anos meses
é tigre solitário, da metáfora predador
é no amor cirurgião, na tempestade o raio

 

Os olhos

Muitas vezes, nos dias de penitente tédio
estimulando-me vícios pesando-me as pálpebras
pegava no espelho que amplia e inspira medo
contemplei o milagre dos olhos. E me olhava!

olhava a iris castanha e leve verde
imperceptível quase envolta da pupila
e a pupila dilatava e recolhia como pede
na escuridão a luz que nos esmaga e guia

tão belo é o dom de ver de ver e reparar
dever de reparar o insulto irreparável
como é possível dos milagres ser-se digno

terrível ter o dom de ver mas ignorar
a miséria a insolência o vício insaciável
e sermos desta divina beleza indignos

 

céu de corvos

ciori-tm.jpg
(imagem retirada da net - Timisoara, Roménia)



Como um céu sombrio entardece na cidade

longínqua onde o sol é pintor da tela azul
usando tons purpúreos e tristes – é verdade
vi legiões de corvos vindos de norte a sul

assim hei de lançar meus versos pelo céu
espalhá-los como corvos negros do tinteiro
caindo no chão penas pretas e vermelhas
de um mundo tão distante indistinto meu

sobrevoarão nos céus malditos animais
dos campos regressando às verdes camaratas
à luz crepuscular, meus versos de delírio

como se fossem lidos por aves imortais
entrassem espíritos malignos pelas casas
e nas densas sombras ardessem como círios

 

Em casa

Em casa salto de livro em livro
Como o macaco de ramo em ramo
Como a pega anda de rua em rua
Como o lobo de gamo em gamo

No livro sorvo poema a poema
Como o poeta de verso em verso
Como o escritor de tema em tema
Como a religiosa de terço em terço

No poema ando de história em história
como o rei de reino em reino
como o guerreiro vitória em vitória
ou o samurai de treino em treino.

Na história ando de rei em rei
como o país de terra em terra
como o saber que só nada sei
como a América de guerra em guerra

na rua vou de rosto em rosto
igual à abelha de flor em flor
igual à rádio de posto em posto
igual ao infiel de amor em amor

Na cama vou de sonho em sonho
Como uma rã de pedra em pedra
Como a criança de choro em choro
como na vida de perda em perda

E ando nisto de hora em hora
A estender roupa peça por peça
neste estendal de mola em mola
neste ritmo sempre à pressa, à pressa

torno-me louco, a rir-me, a rir-me
como o pintor de quadro em quadro
como o ladrão de crime em crime
como o fadista de fado em fado

Escuto o vento de sopro em sopro
como o escultor de estátua em estátua
como o surfista de onda em onda
como a tristeza de mágoa em mágoa

Ao amor devo a minha sorte
Como o devedor paga uma dívida
Como esta vida andar sem norte
Como esta morte não ser a vida

O tempo felino

O meu sentir de volta, inculto, emergente
água a roçar-se pelas pedras da montanha
desliza e agoniza pura transparente
dando frescura às fundas trevas das entranhas

este sentir de tigre no íntimo contido
rasgo-me na luta entre outro tigre o tempo
é este tempo tigre meu pior inimigo
oiço-o a rugir faminto no pensamento.

o gato selvagem não se deixa apanhar
vai ágil pelo muro com olhos assassinos
e territorial lutará por um lugar
dize-nos com o olhar “sou dono do meu destino”

ruído

Todo o ruído dos pássaros me consola
mas o ruído dos homens me aniquila
todo o ruído das árvores me enamora
mas o ruído das máquinas me castiga

todo o ruído dos animais me anima
mas o ruído das guerras me revolta
todo o ruído das garças me desanima
por não voar com elas e andar à solta

rasgo-me se o silêncio for corroído
todo o ruído rói-me o rato roedor
é que o ruído dos pássaros faz sentido
mas o ruído das fábricas é Adamastor

O pião

Quando eu era pequeno
a minha mãe muito querida
comprou-me um pião.

fui brincar com outros miúdos
aceitei o jogo do círculo de giz no
alcatrão, medindo forças entre piões

Perdi, o meu era oco, frágil
ficou rachado, ferido e fiquei triste
destruído regressei a casa  

aquele pião era a minha mãe
aquele miúdo era o meu filho
comovo-me não sei porquê

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