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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Pedido de Renovação das Células

As nossas bocas-barcos encalhadas

dois sexos que se fundem na penumbra

e se confundem pernas, ancas, espáduas

dedos bebidos, duas mãos que se unem

 

duas almas fortemente incendiadas

beijo-te, amor, onde és lua rotunda

dois corpos derretidos onde farpas

se espetam com fúria uma por uma

 

o enigma dos teus seios encriptados

pelo leve tecido que os guardavam

dança dos relógios sincronizados

fazia tempo que não se acertavam

 

nem toda a nutrição renova as células

nem jejuns longos podem subvertê-las

Conversa entre amigos

O que a mim mais me dana

Nesta simples conversa

É estarmos à luta

Luta greco romana

E se eu me engano

quem não se engana?

 

desculpa, amigo

mas tens sempre razão

Pois se a tens contigo

Sempre, para quê então

termos esta conversa

Se acaba em discussão?

 

tu vives lá em cima

Eu não, sou cá de baixo

tu, tão alta auto estima

Eu banal, cabisbaixo

a mim próprio pergunto

por que me rebaixo?

 

As coisas que eu gosto

Obviamente não gostas

Se eu te digo no rosto 

Tu me dizes nas costas

Eu vou pedir robalo

Tu vais pedir lagosta

 

no futuro é melhor

ficarmos distantes

noutra mesa, doutor

Já não somos como antes

pois me exausta falar

com alguém tão... brilhante

Memórias

dedicado aos meus amigos dos Pupilos do Exército

 

E vou da viagem curta à verde Irlanda
às praias brancas de Palma de Maiorca
Nos cafés no bar da Lídia e da Fernanda
Ao exame da Paulinha que era porca

viajo aos quartos onde havia Risco
de impregnado ar de risos e cigarro
assalto ao refeitório é um petisco
para a boca da Memória a que me agarro

de agrupamentos fortes em Santana
aos 25 de Maio no Pilão
ao representante da gente cigana
que aos seus sapatos lhe dei comichão

em casa do Nepo há guerra de balões
escrevo saudade nestas recordações

Valentina no século XVI

Uns olhos verdadeiros puros, verdes

verdes, ó Camões, que só de vê-los

ficamos presos quais peixes nas redes

com raios do sol confundem-se os cabelos

sonhei que um dia a Lua veio vê-la

e ao vê-la deu-lhe o brilho do luar

à pele macia, tornou-a mais bela

que o seu lugar para si queria tomar

sente um grande amor por coisas belas

transforma o lar num sítio bem melhor

propício como o mar às caravelas

onde golfinhos nadam em redor

      o mármore do peito é de Carrara

      e a alma, neste mundo, é nobre e rara

A ferida

Fere-me a angústia,
Aguçado punhal
hipócrita tertúlia
De forum universal

Fere-me o plástico,
E os mares poluídos
o destino errático
De apáticos juízes

Fere-me agudamente
Com lâmina brilhante
A marcha cosciente
Pelo mar do migrante

Fere-me ainda mais
Assistir noutros países
Matam pessoas, animais,
Como matam perdizes

Ferem-me ambições
De discursos nucleares
Insultos, insinuações,
Que nos darão mal estares.

Fere-me esta medida
De vencermos a doença
Nunca mais termos vida
E ser essa a nossa crença

Fere-me o positivista
Que acusa outro de ser
estúpido negacionista
Sem sequer tentar saber

Fere-me a demagogia
Pavor da ignorância
Das mentiras que diziam
Políticos com importância

Fere-me a vil ganância
Morre gente em segredo
Morrendo sem relevância
Indiferente, isto dá medo

firam-me não me importa
Com seringa ou imposto
feche-se de vez a porta
Neste mundo será um gosto

Pois causa-me espanto
Ser direita ou esquerda
Ser preto ou ser branco
Ser elite ou ser merda

O Parvo

(enfim, a um parvo...)

 

Vamos lá então analisar

O raciocínio deste rapaz

Que não sabe bem o que diz

Nem tem noção do que faz

 

“olha, vou ter reunião

Iniciemos então a corrida

Causarei grande impressão

Ao sexo feminino, à partida”

 

“vou tirar a camisola

Mostrando que faço exercício

Que não bato bem da tola

E a maluquice é meu ofício.

 

“Tenho a certeza que irão

Ficar bem impressionadas

Deixa-me acelerar o coração

Para ficarem bem aceleradas

 

“Farei perguntas difíceis

De grandes génios que as faz

Faz deles pessoas incríveis

Um enorme Bem que nos traz”

 

“que importa lá que pergunte

Que roce lisa superfície

Que não me esqueça que junte

À pergunta a maluquice”

 

“vou manter o corpo suado

para notar-se bem que sou

um atleta muito dotado

e bem tonificado que estou”

 

“Olha para mim como tenho

Músculos de quem trabalha

O corpo (é um bocado estranho

O mundo inteiro gargalha”

 

Conclusão do longo poema

Quis causar tanto impressão

Que acabou por ser o emblema

Da estupidez e confusão.

 

Impressão, claro, causou

Às pessoas que o ouviam

Perguntas que ele lançou

Nem ele ou alguém percebia

 

Porém aquele momento

de exibir-se rio-me e gravo

quis voar alto em pensamento

Mas pessoalmente foi só parvo

 

Coitado, precisa de afecto

Por isso da festa é o bombo

Mas cuidado, tem todo o aspeto

De estoirar-se no Colombo

 

Logo, psicologicamente

Este rapaz necessita

Acompanhamento diferente

Pois não bate bem da marmita

A sombra

Paira no mundo uma sombra desigual

que rima com medo e romantismo

um pássaro fúnebre, príncipe do mal

à suprema razão provoca estigmatismo

 

convertem-se pessoas num rio indigente

onde lobos viajam com pele de ovelhas

o amor é-lhes o milho incómodo nos dentes

no mar, as ondas brancas tingem de vermelho

 

à Humanidade pregam ferrugento prego

que não há Cristo vivo que estender nos queira

as mãos ensanguentadas, sem no mundo emprego

a Morte, essa já tem emprego de coveira

 

lunático político no dorso do míssil

rasgando céus de cinza, pó e fumo negro

louco, pirotécnico, de erecção difícil

recebe este poema, ferrugento prego

 

na tua mão direita, na tua mão esquerda

nos pés, no coração, jorrando da cabeça

urgente solução, que trave tanta perda

dos filhos da Terra que mataste depressa

Falta tudo

Falta-nos tudo, o tempo, a cor, também bondade

no início éramos sol sono e primazia

Pergunto se me vale esta inválida poesia

Escrevo sem saber, ignorando na verdade

 

A falta de rigor nas escolhas que fazemos

A falta de civismo, a falta de palavra

A falta de sangue que no sangue recolhemos

E não nos dizem tudo, e não nos dizem nada

 

A falta de justiça, o errático juiz

O fumo negro a ver-se ao longe na cidade

A falta de respeito uns pelos outros diz

Muito sobre mudança, se há ou não vontade

 

A falta de cultura, educação, saúde

De impostos abusivos a velhos inválidos

A pobreza nas ruas desertas diz tudo

Somos cegos como mortos vivos pálidos

 

Que estranhos tempos estes, tudo preto ou branco

Portas estandartes falsos da livre expressão

Ou vives na amargura ou assaltas um banco

Um banco que te empreste um novo coração

 

Falsos Messias

Cautela cá na terra, inúmeros candidatos
a Cristo (sem cruz) salvadores do planeta
vendem livros inúteis de pânico e aparato
cuidado: é pôr o mundo nas mãos de um pateta

é tudo: cientista, médico, informático,
filósofo, virulogista, dos Homens sociólogo
arquitecto, historiador, excelso matemático,
nosso destino entregue a um psicopata psicólogo

entrevistado é tido como um visionário
tem pele de lagarto, óculos e a mulher
parece proprietária de uma agência funerária
que entende bem de Morte, sabe o que ela quer

A música

aos meus pais, dois músicos

 

Havia sempre música na casa dos meus pais

ao sábado e ao domingo

e sabia que no dia seguinte haveria música

um dia o meu pai teve o sonho de

dirigir uma orquestra

decidiu trazê-la para dentro de casa

fechava os olhos e a música ouvia

                                                    e ouvia

                                                               e ouvia...

 

agora, que oiço barulhos vindos de cima

provocados por um deus nórdico terreno

percebo o quanto meus pais eram príncipes

de nobreza rara e inocente

colocando música e retirando o insulto

fazendo do lar pequeno, estreito e apertado

um lugar amplo, luminoso, imperecível

 

o insulto é o princípio do fim do mundo

que se amanhã o mundo ardesse eu pensaria

com certeza absoluta que o fogo nascera

do incauto insulto.

 

por isso coloquemos um disco e deixemo-lo tocar

tão alto e estridente, tão insuportavelmente belo

o suficiente para que as nuvens abram

e os anjos da minha imaginação pousem

e repousem uma vez dos afazeres divinos e

e pousem os arcos e aljavas em cima da nossa cama

e oiçam a música, a música, sempre a música

Entre o sonho e o nada

Ultimamente demoro-me na cama
existe um quadro impressionista na janela
as nuvens movem-se lentamente, chamam-
-me para refúgios infinitos onde sempre estive
ultimamente existo deitado na cama

nas montanhas azuis e céus violeta
habitam aves exóticas e há frutos selvagens
maduros parecidos aos versos que são teus
como nuvens fatídicas escurecem as paisagens
das montanhas azuis e céus violeta

o corpo fica, o cérebro viaja, o poema nasce
do fértil ventre de Gaia, no ombro de um titã
não caio no abismo de Morfeus, mas renasce
no coração a rebeldia dum fogo de Satã
que no pandemónio o gado inculto pasce

Uma manhã de abril

Meu cérebro em permanente construção

Ouvindo o berbequim furar-me o tímpano

Fraquejando-me o corpo em demolição

sem emoção meu rosto pálido, lívido

 

A brancura do papel no tronco macio

Do plátano, que me dá tão perfeita

Loucura de lunático, de bronco

Oferece-me versos numa sexta feira

 

Direi que ao longe esteve o largo Tejo

Mais tarde, velho fraco, vacilante

Que o azul do céu foi suave sertralina

 

enfim, tudo me mata, nada festejo

nem mesmo o sol sorrindo triunfante

só este último verso me ilumina

as aves que somos

Invejo os ninhos das aves onde sopra o vento

macho, fêmea e crias juntos se reunem

unidos no conforto morno cem por cento

sem vento tributário que os desunam

 

não precisam ter licença de construção

nos postes de alta tensão postos na estrada

apela à verde e harmoniosa reunião

entre macho construtor e empreendedora amada

 

uma águia faminta voa em busca de algo

que se mastigue enchendo a pança oca

o melro pia às vezes vestido de fidalgo

parece que apupa sua fêmea de «louca»

 

voava rente ao chão um melro diligente

comunicando à sua amada que já viu

por onde rastejava a lagarta suculenta

que do topo de um prédio a amada lhe pediu

 

e voam nisto o tempo inteiro até durante

a madrugada, interferindo no meu sono

ele “sou livre, não mandas nada”, confiante

ela orgulhosa “és meu marido, não meu dono”

 

porém, operam bem, vestindo os dois de luto

raramente avisto voar um melro solitário

lá anda no jardim, discreto, ágil, astuto

voa livre num regime totalitário

Na verdade

na verdade não basta ter livros nas estantes

é preciso observar e escrevê-los de memória

a miséria, a fadiga, a violência, o ódio e a

negra fome e doença, duas irmãs triunfantes

 

colocar nos poemas choros e gritos

onde sangue inocente se verta no verso

a mulher violada pelo homem perverso

decifrar os olhos cultos dos malditos

 

revirem do avesso antigas leis ditadas por

vermes que procuravam olhares da rainha

e tinham em mente matanças e violências

 

as estrofes que exibam garras ponteagudas

do pânico, e que um frio glacial na espinha

percorra as costas de suas excelências

A voz de um juiz

Há muitos canibais, afirmam que comeram

alguém de faca e garfo, cujos condimentos

fluíram no berço dos seus pensamentos

onde ao medo seus braços fracos estenderam.

 

sento-me na cadeira, anónimo, banal

num restaurante imundo, vejo os que chegaram

nos rostos trazem rugas escritas pelo mal

onde leões de culto deles se alimentaram.

 

Subia nessa névoa gordurosa e fácil

Uma onda flutuante vaga impercetível

Que o pior estava para vir nos moldes da injustiça

 

A voz do juiz fluía desenvolta e dócil

E num reflexo óbvio humano compreensível

Olhámos de soslaio os olhos da Justiça

Emblema

Como prevenir a escolha errada se

a vida nos começa quando a vida acaba

abre-se a porta, irrompe triste, transtornada

a verdade que num dia apodrece.

 

poderás mantê-la no frigorífico a conservar

no solo, o sacrifício manter-se-á igual

aquilo que define nosso génio do mal

vai eternamente em direcção ao mar

 

oferece-me um livro, criarei um poema

ocupe meu lugar, caricaturando a forma

do meu corpo que a terra aceita por retoma

Como divisa da Vida emblema da Morte

O Tempo viajante

Talvez os dias se pareçam iguais

descobrimos tarde que herdámos defeitos

dos nossos pais mas não necessariamente

a passagem de testemunho

cunhado de algo maior que tudo. tentamos

fugir à vida implacável

Que nos condena e molda

Que nos convida e tolhe

Os passos, como os que dávamos em crianças

Quem nos fustiga os sonhos

Quem nos embala à noite com fantasmagoria

Quem me faz acordar de noite para ir dormir

Acordado para a sala fria e escura

Ao fundo, as fábricas com seus ruídos eternos

Fazem de mar, mas envenenam mares e rios

Fazem de conta que são reis na terra

E ao fundo um acampamento de luzes

Trémulas e líquidas espremidas pelo céu

As gavetas guardam utensílios

Os homens guardam tudo

E eu que guardava tudo agora não guardo nada.

Voltarei à fase príncipe, à fase bicho

À fase que me escondia na vegetação selvagem

Refugiando-me nas montanhas da fantasia

Onde pintalgava de flores

Os campos verdes na juventude.

Este poema desce

mas eu vou subindo

na idade.

E por aqui fico

O Génio do Mal

Todo o génio da verdade na filantropia

adopta poses de fraterna condescendência

com máscaras devassas de fatídica demência

que nos veio oprimir o nosso dia a dia.

 

inutilmente gasta horas em laboratórios

onde escrevinha planos de salvar a humanidade

lunático sonha ser o messias da verdade

mentindo quando submetido a interrogatórios.

 

Dachau talvez seja agora o mundo inteiro

de experiências e jardins de nova Babilónia

grafitis brancos feitos neste céu imenso

 

quase não sinto o sol erguer-se prazenteiro

de quem não dormiu bem durante a noite insónia

do sol que nos diz : “a este mundo não pertenço”

Actualizações

A poesia pode entrar em vias de extinção

se não cuidarmos dela, o ceptro da ignorância

Exige que haja doença, morte, destruição

E outros acontecimentos de pouca importância.

 

A juventude gasta em minúsculos espaços

Com luzes cor de lua e botões na amizade

Ignoram que o corpo desperta com abraços

Exalta-se no amor se grita: Liberdade!

 

Olha como o cão ocupa o espaço da criança

Puxa da cadeira, assiste ao cómico declínio

A Beleza põe cabeleira da lembrança

Saudosa dos dias envolta de fascínio

 

Pasmado com tamanha perfeição nos versos

Há nos meus olhos brilhos ternos que animavam

Na juventude, tédios mornos e perversos

Por onde incultas flores nunca se exaltavam

 

Penso nos românticos, loucos, doentios

Meus preferidos na Morte e melancolia

Lançavam noutros tempos perigosos desafios

Onde reis eram satirizados pela poesia.

 

A chave mestra para arrombar corações

Não precisava estar pendurada ao pescoço

De um defunto hediondo que nos impõe grilhões

De um céu promissor nos atira ao poço

 

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