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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

A Floresta Amaldiçoada

Março 19, 2021

Casal perfeito: o guloso, a prostituta e o lacaio

Juntos movem montes, planícies e montanhas

Faz do lacaio, o burro de carga, o gordo baio

No mundo há pessoas muito estranhas.

 

Ela, glória antiga, agora carcaça velha,

faz uso do corpo flácido e ressequido

usa vestido curto, apertado cor vermelha

Prometer ao parvo rei mais tarde, vê-lo despido

 

E os que fogem aflitos da floresta amaldiçoada

Onde murcham as flores e as aves já não piam

Conseguem uma vida mais ou menos recatada

E as vozes que deviam gritar já não gritam

Digitalizações

Março 18, 2021

E mais um dia que aeroportos desertos estão fechados
parques interditos, restaurantes não abriram
mais um dia que milhares de olhos se fecharam
preversas elites de sombras que conspiram

um dia a mais é um dia a menos para muita gente
países tremendo de frio noutros países
dizem-nos: “ mais um teste que iremos ter pela frente”
que mãos sangrentas nos arrancam pelas raízes?

que desconhecido tem portões enferrujados
à porta, uma porteira serve com milhões de olhos
controla frases epidémicas de inconformados
é impossível vivermos humilhados de joelhos

iremos coexistir com olhos que nos escrutinam
as cidades inteligentes não nos darão inteligência
há novas sombras que prosperam e que nos gritam
num mundo à beira de declarar insolvência.

os nossos filhos não poderão sair mais à rua
água e pão serão motivos de novas utopias
desgovernada a liberdade andará nas ruas nua
a chorar desesperada por não estarmos em sintonia

gritarem que há cidades muito inteligentes
Que não nos dão de graça a douta inteligência
É o mesmo que passar mentiras pelos dentes
É preciso ver com olhos de sangue e irreverência.

Poema de retoma

Março 10, 2021

nasci só para isto para sempre não vivi
nas elites ostras fechadas estrelas de cinema
clausura monástica canta-se a tortura
como andar de carro dentro de grutas

janelas frias, ao meio dia o sol não entra
estou deitado na vida num quarto simples
era príncipe, no início, por princípio
sou cadeira perneta metida no sotão

talvez me recolha em algum lugar com vista
para colinas verdes e ventosas, serei pedra
aquecida num sol de Maio generoso
contarei histórias indizíveis certas

 

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