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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Grito

um novo mal reúne-se. E atrai
novos recrutas de mal iluminadas ruas
miséria de eremitério que contrastava
ao pequeno ponto preto do outro lado do mundo

o mal forma-se em círculos concêntricos
novas ideias de despedimentos colectivos
se alguém for visto na rua é vampiro
a lei é uma estaca no coração dói

vive-se debaixo de viadutos, andamos
a ver se o mundo vai pelos ares.
o recolher obrigatório é obrigatório
em toda a parte há polícia invisível

Agarro-me ao poema tudo é efémero
levam-me a vida, mas o poema fica
meu corpo dentro do prazo sufoca no grito
estou rodeado de morte e mentira

 

Um bicho

Talvez tivesse sido a pedra no sapato
alguém tropeçava num livro desconhecido
precisamos vestir mentira e aparato
e vagamente a vida esboçar-nos um sorriso.

os livros foram amigos que inventei
noutra dimensão tenho a Orion nas mãos
erguiam-me cidades impérios empreiteiros
também mundos sombrios no coração.

Nem génio eloquente sempre príncipe do nada
de bolsos vazios no ânimo e incerteza
o dom de bem viver é andar de mão fechada
fingindo que possuímos nela uma certeza.

Talvez tivesse odor febril da fruta podre
atraindo mínusculos insectos no lixo
nunca fui vencedor nunca alcancei o pódio
a glória é ter vivido a vida como um bicho

retenho na memória a vaidade nos rostos
sorrisos amarelos mais mentirosos que eu
nos olhos acendo fornos de desgosto
por não dizerem nunca algo realmente seu.

príncipes da fortuna em desertos e cavernas
são célebres porque viram celebridades
estendem-nos currículos de mãos entre as pernas
apalpam a mentira, humilham a verdade 

 

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