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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Um vício

Não fiques muitas horas preso nesse abismo

Voraz, por prometer-te essa glória absurda

Por dias mesquinhos de fraco lirismo

Vindos dos amigos, de alma surda muda

 

Denuncias uns olhos doentes, inflamados

A palidez mortal que já te invade exprime

O tema onde consomes horas atiradas

Ao lodaçal infecto onde outros te estimam.

 

Por mais que puxe pela minha imaginação

Por mais, de forma implícita, tente salvar-te

Para sempre tentarei guiar teu coração

Onde efusivo o vício insiste em devorar-te

páginas brancas

Dói-me a cabeça! Ao meu dia é mau sinal

persisto em existir que à beira desistia

nas galerias do céu fui devorar poesia

na secura da boca, de um rosto matinal

 

precisava caminhar, andar num velocípede

cheirar em meu redor as ervas infinitas

ao longe a propagar-se, o riso das meninas

e rapazes, numa pândega de quadrúpedes.

 

Cancelei as férias, desisti rumar ao sul

magotes, multidões não são aconselháveis

na altura que nos chamam feitos intratáveis

só preciso de papel, caneta, um raio de sol

 

tornei-me Príncipe das Trevas intratável

bicho da seda que tece solidões

ando a plantar tornados, vendavais, tufões

criando uma atmosfera quente fria instável

 

tornei-me igual ao mar, e os ventos, esses ventos

gritam-nos memórias absurdas nos ouvidos

de batalhas sangrentas de opostos partidos

com ambições funestas, magros sentimentos

 

como querem que explique a crise racial

na América, se existe crise agora em mim

em tudo há um mal um bem início meio e fim

mas este fim que tarda em mim é visceral

 

preocupa-me mais o ritmo cardíaco

do poema de planície que a nada me sabe

pode ser que o nada mo termine mo acabe

com rosto trocista e olhos demoníacos.

 

descobri a madressilva de flor adocicada

esmago-a em minha mão, logo um perfume

que me esmaga, tortura, no costume

ser uma espécie de autoridade tributária

 

relaxo, respiro, inalo o ar poeirento

há mais de uma semana a casa não respira

com sentido de humor, a árvore que suspira

parece que declama versos sumarentos.

 

fracos foram sempre meus dotes artísticos

Ó musa que eras tu douta ansiedade

estimulavas-me a memória na verdade

dos versos nocturnos sóbrios e cítricos

 

houve quem dissesse que tinha talento

como na Servidão Humana que o pintor

não por ser génio mais pintava por amor

Afortunado o esboça e pinta um sentimento.

 

a tristeza confunde-se mágoa dolorosa

gostava que por mim falasse o poema triste

glóbulo branco que do corpo não desiste

lembrando documente o reinado da rosa.

Confinamento

Eu sou o monstro ignóbil que criaste

A nuvem negra prenhe e flutuante

Que escurece o teu quarto triunfante

Que amanhece na gruta onde ficaste

 

e minha inércia é terra que plantaste 

Semente germinada edificante

Na árvore que morre num instante

No fogo que no templo me ateaste.

 

Perto de ti não fico, eu fico sóbrio

Se mergulhar num quarto de silêncio

Como se fosse escravo, aluno ou poeta

 

Como estas meias rotas que hoje dobro

Confino-me ao meu próprio esquecimento

No fundo bem dobrado na gaveta

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