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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

O combatente

 

 

Na verde Bucovina que amo tanto

um idoso abordou-me como o sol

e saudou-me.

trazia nos olhos os horrores da guerra

apertando-me vigorosamente a mão

como só os poetas o fazem entre si

 

não se conteve.

e sobre o enrugado rosto

rolaram-lhe vítreas as lágrimas em mim

contou-me, trémulo (tremia tanto)

que combatera na dura guerra

contra o reino da Morte

pelo reino da Vida.

 

queixava-se que nunca ergueram

um monumento, uma memória viva

e que pagou ele tudo

honrando os seus amigos

 

eu era um ponto minúsculo

ele era uma miríade de estrelas

eu era um inútil mosquito

ele era um imenso continente

 

estará vivo?

estará vivo?

assim me bate

o coração.

 

A regreção das espécies

Será isto a crise de meia idade
tocam sinos, caem sonhos e cabelos
suspenso pensativo na matura idade
nos sonhos, qu às vezes, mais vale não ter.

evolou-se pureza que está no meu filho
meu cérebro caótico fogo infernal
o pior é que há pior, ser assim é empecilho
díficil ser-se culto e livr(e)o em Portugal.

O pânico dos livros, que sofrem uma espécie
de exclusão social, débil e literária
o tempo é o típico demónio que se ri
de nós à gargalhada cínico canalha

por isso escreverei poemas são pérgolas
inventados cartões de crédito fictícios
são milagres tecnológicos estas pérolas
criam-se poluídos vácuos do, ‘só isto’

há pouco interrompi o silêncio persistente
passaram oito horas na lúgubre igreja
vivo do ofício igual ao penitente
penitencia-se onde quer que esteja

não é angústia, é um pânico indefinido
coreografia estranha do fogo parecem
famintas leoas no encalço da vítima
chagas de cristo que não desaparecem

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