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POESIA ÀS ESCONDIDAS

Poemas escritos por António Só

Poemas escritos por António Só

Alienação

Talvez me rasgue ao meio e em dois me divida

é uma questão de raios x’s, pulmões e seios

porque o fundo floresce nos íntimos receios

não ter meios na vida que não é querida.

 

tudo tem um fundo de ásperos segredos

escavamos e encontramos crânios da verdade

que não é mais que o tempo o rosto da saudade

pavor de cintilantes estrelas e degredos

 

conforto remeter-me a esta insignificância

o fim parece-me uma profusa ilusão

é como sentir ter nas mãos o coração

e não dar à viúva negra importância

 

um bolo de bolacha feito de camadas

como um país em chamas ter muitas florestas

pinheiros e eucaliptos em constante brasa

terei um ‘F’ escrito na testa?

 

Porque sou muito manso nas questões de graça

Da gargalhada amigo. Nada serei mais

Que uns punhos de momentos que serão punhais

No meu tempo que sinto já roer-me a traça

 

como sentir passados na perfumaria

permanecendo sempre no tempo suspenso

pensando que ao tempo presente não pertenço

boiando à superfície do lago da sabedoria.

Em vão

É cruel seres carta fora do baralho

Quando és carta do baralho mais usada

Seja no céu, no inferno, seja no trabalho

Se teu suor valer menos que uma piada

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